segunda-feira, 21 de maio de 2007

Diário de um sonhador

"O pior de sonhar, é que um dia vamos acordar.
E quando sonhamos viajamos por mil mundos. Andamos mais rápido que a velocidade da luz. Vagueamos por campos verdes. Somos atletas e verdadeiros deuses. Tocamos música e criamos universos. Tudo faz sentido e tudo anda normalmente. Voamos de um lado para o outro, como uma corda sobre um violino, deslizamos. Suavemente, sem rumo ou maré. Somos o que queremos ser. O mundo é brilhante e nosso. A relva é verde e nossa. Ninguém nos chateia ou aborrece. As crianças não são envergonhadas. Ou velhos não estão arrependidos. Os jovens amam-se. Os adultos não criam conflitos ou disputas. E tudo corre bem. Como se tudo tivesse uma finalidade. Como se o mundo fosse perfeito. Esquecemo-nos mesmo que é um sonho. Que somos nós que sonhamos. E que é por nossa culpa o mundo ser assim. Parece tudo tão linear, tão aberto que seria impossível ser sonhado. Seria impossível a mente de alguém criar algo assim.
E contudo é um sonho. Um sonho que não se farta. Um sonho que não grita ou aborrece. Tão belo quanto um beijo. Tão único quanto um sorriso. Tão quente quanto um abraço. Tão simples quanto a chuva. Tão melódico como a música. Tão leve quanto uma pena. Tão coordenado quanto um improviso. Tão magnifico quanto uma memória. Tão aberto quanto a liberdade. No sonho não há porquês. Não existem justificações plausíveis ou ordenamentos feitos. Existe o sonho.
E o pior de sonhar, é que estamos de facto a sonhar. Estamos mesmo a idealizar algo. A criar um mundo. A seguir um voo de uma andorinha. A ver uma folha boiar. Tudo está certo até ao momento em que acordamos. O mundo é destruído, a andorinha morre e a folha desfaz-se na água. Nada é eterno, e o sonho, é de curta duração. É tão incerto quanto o destino. Houve alturas em que não conseguia sonhar. Perguntavam-me admirado porque não sonhava. E respondia que não conseguia. Não conseguia suportar a ideia que ia acordar e que tudo aquilo deslumbrante e único iria desaparecer, no primeiro minuto em que se acorda. E o sonho, o sonho é negro. Estamos de olhos fechados e a deixar a mente mandar em nós mesmos. Por vezes saltamos e desviamos obstáculos, e contudo, sonhamos. Contudo estamos deitados e a dormir.
E quanto acordamos, o sonho foge. Como se fosse tão puro, tão limpo que a sua existência não pode coexistir com este mundo. Foge como se fosse o fim. O fim de um belo e simples sonho. Foge como se estivesse arrependido. Como se escondesse um universo paralelo.
Não suporto sonhar, porque sei que terei de acordar. E tudo o que criei e imaginei será perdido. Perdido para mais uma historia em família. Para mais um pormenor interessante feito em conversa de almoço. E contentes dizemos entre duas garfadas de um almoço já frio:
Sabes o que sonhei hoje?
E esse mundo, esse universo perfeito, esse estranho sonho, não passa de um tema de conversa. Não passa de uma doce recordação. Por vezes dura e frustrante. Outras vezes nossa e única. O sonho, o sonho deveria ser guardado em DVD. Para poder ver uma e outra vez. Sempre que quisesse. Porque o sonho é nosso. E a liberdade e força que temos quando sonhamos, isso, é sem dúvida eterno. Seria eu capaz de trocar a vida por um sonho?
Sim”

domingo, 20 de maio de 2007

Música para ouvir: Prodigy - Breathe



Breathe with me.

Breathe the pressure,
Come play my game I'll test ya.
Psychosomatic addict, insane.
Breathe the pressure,
Come play my game I'll test ya.
Psycho,-somatic addict, insane.

Come play my game.
Inhale, inhale, you're the victim.
Come play my game.
Exhale, exhale, exhale.

Breathe the pressure,
Come play my game I'll test ya.
Psychosomatic addict, insane.
Breathe the pressure,
Come play my game I'll test ya.
Psycho,-somatic addict, insane.

Come play my game.
Inhale, inhale, you're the victim.
Come play my game.
Exhale, exhale, exhale.

Breathe with me.

Breathe with me.

Breathe the pressure,
Come play my game I'll test ya.
Psychosomatic addict, insane.
Breathe the pressure,
Come play my game I'll test ya.
Psycho,-somatic addict, insane.

Come play my game.
Inhale, inhale, you're the victim.
Come play my game.
Exhale, exhale, exhale

Breathe with me.

Breathe the pressure,
Come play my game I'll test ya.
Psychosomatic addict, insane.
Breathe the pressure,
Come play my game I'll test ya.
Psycho,-somatic addict, insane.

Come play my game.
Inhale, inhale, you're the victim.
Come play my game.
Exhale, exhale, exhale

(Nota pessoal: Nunca comi tanto pó no mesmo dia. Concerto dos Prodigy merece aqui o seu lugar de destaque.)

sábado, 19 de maio de 2007

A vida tem outra cor

A vida tomou outro significado. Tudo tem mais piada. É como se tivessem devolvido as cores ao céu. É como se renascêssemos do nada. Sem esforço ou dor. Apenas prazer e satisfação. E a vida ganhou cor. Tudo parece mais lógico. Um peso enorme que carregava caiu. E sinto-me leve. Como se conseguisse voar. Não há pressão de tempo. Não há frustração da solidão. Não há dor na vida.
Admitindo os meus erros, e concluindo as minhas desventuras. Chego a um bom fim. A vida é bela. E tem de ser. Violência existe. E toda a dor existe. Não é desumano ignora-la. Desumano é pensar que não nos pode atingir. Estamos para sempre condenados a conhecer o nosso fim. A única escolha que temos, é se nos cruzamos com esse fim, em pé como heróis, ou deitados como velhos idosos.
A verdade é que as pequenas coisas da vida dão-nos prazer. Aqueles pequenos pormenores que parece que foram feitos só para nós. Isso sim. Isso faz o nosso dia ter mais significado. E agora, agora que me tiraram um peso de cima dos ombros, eu entendo. Agora a música faz mais sentido. A arte é mais bela. E a vida é mais especial. Como pequenas coisas mudam todo o nosso andar, estar e ser. Tudo parece diferente. Quando um dos nossos propósitos mais íntimos é satisfeito. Quando algo que tanto ansiamos sucede, então é porque estamos vivos.
Então é porque o mundo sucede. O céu continua a ser azul. As nuvens brancas. O passado continua a ser tentador. E o presente um massacre. Os amigos continuam uns bêbados. A família continua de luto. A semana tem cinco dias. A corrente vai para o mesmo lado. Os peixes continuam a viver debaixo de água. Os cães atravessam a estrada na passadeira. As raparigas continuam a sorrir. A música continua um universo mais vasto que o nosso. A arte abstracta continua um mistério. A hora continua a ter sessenta minutos. O mar continua azul e ondulado. A televisão continua viciante e aditiva. O mundo continua igual ao que sempre foi.
Mas nós não. Nós mudamos, e a vida tomou outra cor. Se por bem ou mal, não sei. Sei apenas algo: Ainda não me desiludi.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Filme Memorável - Memento



(Nota pessoal: O filme que gosto mais, de todos os que já tive o prazer de ver.)

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Cesário Verde e a sua obra

Estava, inicialmente, muito pouco ligado á obra de Cesário Verde. Não tenho facilidade em analisar poesia, ou mesmo em saber apreciá-la. Tenho um irmão com tendências poéticas, tal como a professora sabe. E sendo assim, sempre deixei os meios “poéticos” para ele. Também eu escrevo, mas prefiro escrever textos largos. Pensamentos e profundas reflexões sobre o mundo.

Mas tentando não fugir ao tema, repito, não sei apreciar poesia. E portanto, julguei que Cesário Verde não fosse uma excepção. Pensei que fosse mais um poeta português, dos muitos que a minha nação alberga (Graças a Deus!). E contudo, ao ler Cesário Verde, consegui descobrir o seu brilho. Verdade seja dita que os poucos poetas que já tinha tido o prazer de ler, eram épicos (Camões) ou míticos (Pessoa), e de ambos, pouco ou nada consegui apreciar. Nem mesmo consegui apreciar, pois tanto se dizia bem de ambos que até me sentia intimidade em expressar a minha opinião as suas obras. Como se um comentário a tais obras fantásticos fosse mal recebido e mesmo renegado.

Portanto ao ler Cesário Verde, consegui perceber um pouco esse brilho que ostenta. Sei contudo que não é assim que o conseguirei apreciar. Por muito que o tente ler e até mesmo julgar, a obra de Cesário Verde não encaixa. Tanta é a pressão de ler e analisar para conseguir corresponder ás análises feitas nas aulas, que receio não conseguir tirar o máximo de tal obra. Dos vários poemas que li, apenas a ideia de tirar notas e conclusões (muitas vezes precipitadas) imperava na minha mente.

Portanto, e receando não corresponder ás expectativas de um futuro teste sobre a obra de Cesário Verde, é com pena que digo, continuo sem saber apreciar poesia. Quero portanto deixar aqui a minha impressão do primeiro poema que li de Cesário Verde: Contrariedades. Tocou-me a maneira como “triste” Cesário Verde conta a sua história. Sendo este recusado por não aceitarem poemas seus, loucamente relata a sua fúria e sentimento. Apreciei especialmente a maneira como a cólera passa ao ver e pensar naqueles que realmente sofrem: o povo. E ao contrário de Eça que mal dizia da sociedade rica e dos luxos, Cesário tenta mostrar os dois lados dessa contenda, tanto dizendo mal dos ricos, como realçando a pobreza do povo. De todos os poemas, este fascinou-me. E espero, um dia mais velho, conseguir ter tempo para realmente apreciar todo o legado de Cesário Verde.

“E estou melhor, passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe luz no quarto. Inda trabalha. É feia…
Que mundo! Coitadinha!”

Poema de Cesário Verde, Contrariedades

10.05.07

quarta-feira, 16 de maio de 2007

A vida complicou-se

A culpa não é nossa. Não pode ser. Não somos nos que ditamos a velocidade com que a vida se move. Não somos nos que decidimos a quantos vamos. È como uma viagem de carro. E estamos no lugar do morto. Pouco podemos fazer para alem de ouvir musica e apreciar a vista. E contudo temos uma opção: enfiar com o carro no muro, e dar uma morte instantânea. Acho que a vida acaba por se resumir a isso. Uma viagem que não temos controlo, e apenas podemos apreciar. E a única coisa que podemos fazer, é escolher quando queremos que chegue o fim. Isto é, se o provocarmos.
E é frustrante. Irritante no mínimo. Nada fazemos. A vida corre muito depressa, e mal temos noção, já estamos a dizer:
“Isso no meu tempo não era assim.” Ou “ Isso era antigamente.”
Que raio, quantos séculos de idade temos nós, para já estarmos armados em velhos? A falar do nosso tempo e de como era dantes. Julgamo-nos já com idade para dizer tais barbaridades. Somos putos. Estamos na flor da idade. E por muitas décadas de idade, nunca deveria chegar uma altura propícia para falar do passado e compara-lo ao presente. Nunca deveria chegar um dia, em que sentados numa cadeira, e olhando para o Sol a queimar-nos as pálpebras, dar-mos com nós mesmos dizendo em voz baixa:
“Ah, que vida que levei. Tantas coisas alcancei, e tantas coisas vivi.”
Ainda eu, jovem como sou, dou por mim a criar biografias na mente. Passagens da minha vida, transcrita para um livro. Desgraça de pensamentos. Nenhum de nós deveria sentir-se velho, nunca.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Poetry that does not rhyme: Aren’t you pleased yet

You’ve got a beautiful smile.
Generally, I hate when people smile.
It disappoints me.
I like to believe that I’m the source of their happiness.
So I sadly watch them smile when I’m not there.
But your smile, well that’s different.
When you smile the world seems to smile with you.
And when you do it even I fell happy.
Few people make me smile.
Few people make me fell complete.
And you, you do it all the time.
Why?
I’ve got no answers.
But one thing is true.
You hardly know me.
We trade a smile each day, like we were really happy by seeing one another.
And you know that’s not true.
I’m not the source for your happiness.
I won’t lie to you, you give me hope.
Hope for a better life, a better soul.
God knows I try to make you more then a friend.
But it’s just not enough.
And looking at you, again and again, I wonder:
“Aren’t you pleased yet?”
I finally give up.
You’re so beautiful, so simple, and so unique.
My influence on you could destroy you.
And I won’t take that risk.
I won’t.
Not again.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Diário de uma mentira

“O meu maior erro foi um dia mentir-te. E a mentira parece tão simples, tão inocente, tão pouco. Mentimos para ocultar a verdade. E porque o fazemos? Porque a realidade não é aquilo que gostaríamos que fosse. Sempre menti a tudo e todos. E agora, agora sinto-me mal. Como se carrega-se um corpo coberto de cicatrizes, dores, doenças. Sim, a mentira é como uma doença terminal. Sabes que inevitavelmente a mentira vai morrer, e contudo lutas com tudo o que tens para que seja o mais tarde possível.
E mentir-te, foi o meu pior erro. Nunca te devia ter mentido. Fi-lo, sim, admito. Na altura… na altura pensei que tudo iria dar errado, se eu não contasse essa pequena mentira. E tu adoravas-me. Não sei se pela mentira, mas tu idolatravas me. E olhavas me com esses teus olhos e sorrias. E eu não pensava mais na mentira. Que importa uma pequena mentira? Que importa agora a mentira? És feliz, e a minha mentira não te irá dar eterna felicidade ou tristeza. No momento, sim, no momento, era a melhor coisa a dizer. Porque tudo poderia descambar, tudo poderia cair, tudo podia morrer, se essa pequena mentira não fosse dita. E eu não podia deixar, simplesmente não podia.
E o pior da mentira, é que só a primeira é que custa. Depois fica-se tão profissional. É como o álcool. No início cai mal na garganta. Mas lentamente o seu efeito toma conta de nós, e cada vez mais perdemos essa noção. Essa noção de que estamos a beber, de que estamos alucinados e que não nos controlamos. Tal como a mentira. A primeira soube mal. Sentir os teus olhos penetrantes. E em cada segundo sentir que duvidavas de mim e que a qualquer momento poderias provar a minha tão estúpida mentira.
Mas nada aconteceu. Tu continuavas a sorrir. E eu continuava a mentir. Lentamente a mentira tomou conta de mim. Já não pensava nela. E mais uma mentira, ou outra, já nada custava a sair. Só uma coisa se arriscava a desaparecer: o teu sorriso, no dia em que perceberes todas as vezes que te aldrabei, trai e enganei.
E aqui, aqui que não me podes ler, perceber e entender, eu peço-te perdão. Mais tarde ou mais cedo iras perceber que te menti. Talvez um dia deixemos de nos amar. E nesse dia já não saberás que te menti. Já não poderás olhar-me na cara e perguntar:
Porquê?
Até esse dia chegar, continuarei a amar-te. Até esse dia… Até chegar esse dia fatídico.
Porque te menti eu? Gostava de nunca o ter feito. Até esse maldito dia, adeus.”

domingo, 13 de maio de 2007

Música para ouvir: Fray - How to Save a Life



Step one you say we need to talk
He walks you say sit down it's just a talk
He smiles politely back at you
You stare politely right on through
Some sort of window to your right
As he goes left and you stay right
Between the lines of fear and blame
And you begin to wonder why you came

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

Let him know that you know best
Cause after all you do know best
Try to slip past his defense
Without granting innocence
Lay down a list of what is wrong
The things you've told him all along
And pray to God he hears you
And pray to God he hears you

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

As he begins to raise his voice
You lower yours and grant him one last choice
Drive until you lose the road
Or break with the ones you've followed
He will do one of two things
He will admit to everything
Or he'll say he's just not the same
And you'll begin to wonder why you came

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life
{Repeat the chorus four times}

(Nota pessoal: Uma música destas, calminha, de vez em quando, faz bem a toda a gente. O estilo deles é muito parecido a Coldplay, cada música com o mesmo tom. E contudo demora até saturar.)

sábado, 12 de maio de 2007

Chega de histórias

Já chega de nos aldrabarmos uns aos outros. De nos enganarmos constantemente. De sermos masoquistas e assassinos em massa. Vamos admitir a realidade.
Somos uns incompetentes. Somos uns palhaços. A raça humana não passa de uma cambada de pobres coitados que não sabem nada de nada. Acho que já chega. Adoramos culpar os outros pelos nossos defeitos, e portanto não fazendo de mim uma excepção, vou culpar os outros pelos defeitos que esta minha humanidade representa diariamente na alma. Vou começar, portanto, a mandar as culpas para essa gente toda:
Culpo quem me educou. Ou quem se esqueceu de me educar. Quem me trocou por um programa televisivo ou uma série de televisão. Culpo a todos esses professores que nunca souberam tratar dos seus problemas, mas que julgam saber educar crianças. Culpo os pais vingativos. Aqueles que guardam ressentimentos, e que privados de um prazer quando crianças, o transmitem para os filhos. Como uma calvície ou miopia hereditária, descarregam todo em crianças inocentes, coitadas. Culpo portanto aquelas pessoas que nos deviam educar, mas que não o fizeram.
Culpo o meio onde nascemos. Culpo o sítio para onde nos mandaram. A cidade onde vivemos e todo o que temos de suportar por aqui viver. Não existem lugares perfeitos, mas existem lugares nojentos. Para aqueles, nascidos e criados numa zona modesta, arrisco-me a dizer mesmo, rica. Não foi este o lugar que escolheram. Se calhar preferiam ter vivido num mundo mais pobre para aprender a lutar pelo dinheiro. Se calhar preferiam ser menos fiteiros, habituado a tanto amor e preocupação. Gostavam de ser pobres? E se o fossem, provavelmente gostariam de ter dinheiro e não serem pobres. Portanto, que venha daí as culpas para essa dúvida eterna. Que venha daí a falsa modestia e a ironia dos ricos. E que seja dada a culpa para essa doença hereditária e imortal. Aquela doença que nos faz nunca estar feliz onde estamos, com o que temos e com quem estamos. Aquela doença que nos faz nunca ser felizes.
Culpo as guerras, política e conhecimento. Todos eles a um palmo da mente de uma criança. Basta esticar as mãos ou escutar, para termos a versão real da nossa Terra. Culpo essa informação em massa. Culpo o “século da informação”. Culpo a rapidez com que uma notícia passa de um canto do planeta para outro. Culpo a liberdade de expressão e o racismo. Culpo a maneira como qualquer anormal pode dizer o que quiser do mundo. Escrevendo em paredes ou criando um blog da treta. Mas não vou falar apenas de mim.
Continuo a culpar. Culpo por fim, nos mesmos, nos todos, que fomos mal habituados. Que erro crasso! Habituados a acreditar que tudo está á mão, e que todos podemos ser famosos. Fomos mal habituados. Ligamos a televisão e qualquer anormal é famoso. Qualquer palhaço lança um CD. Qualquer inspirado escreve um livro. Qualquer fantoche governa um país. Será este mundo aquele que escolhemos para nós? Não. A resposta é que o mundo não se escolhe. Fomos mandados para aqui. Cada um no seu caminho, cada um feito parvo á procura de uma razão. Quando não existe razão. Quando é uma perda de tempo.
Qualquer parvo consegue culpar tudo e todos pela sua tristeza. Mas poucos conseguem admitir: estamos a perder tempo. E chega de histórias? Se um dia tivermos um emprego rasco e desprezado? Teremos de ser infelizes? Se um dia estivermos perdidos e sem amigos? Teremos de chorar pelo que já não temos? Se um dia perdermos todo o dinheiro? Teremos de nos suicidar? Acho que no fundo, a verdadeira razão para isto tudo, escapasse ao nosso lado. Só cá estamos uma vez. Só uma vez. E não sei quanto ao resto da humanidade, mas eu não quero chegar um dia, já velho e coxo, a dizer:
“Se pudesse voltar atrás…”
Portanto, chega de culpar os outros, e que venha daí essa vida que tantos indignam e desprezam. Que venha daí a realidade e a felicidade. A dor e o sabor. O sabor que ainda estamos vivos.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Filme Memorável - Face Off



(Nota pessoal: Bom filme de acção, com um conceito inicialmente confuso. O filme que me fez passar a adorar Nicolas Cage.)

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Resumo de um conto da obra de Eça de Queirós

Resumo de um conto da obra de Eça de Queirós
“Contos – No moinho”

Maria da Piedade é uma triste mulher. Nunca teve o prazer de conhecer o verdadeiro amor, casada com um homem rico nunca teve um trabalho ou alguma necessidade de mostrar o seu esforço ou intelecto no seu quotidiano. Maria da Piedade é casada com um homem doente, João Coutinho, e dispõe de todo o tempo para cuidar da fraca saúde que este ostenta. O seu marido é fraco, disposto aos cuidados da sua frágil mulher, que não socializa com os pacatos habitantes da vila e vive pobremente, com uma monotonia que não a parece incomodar.

No entanto, a chegada de um primo de seu marido, Adrião, altera bruscamente a ordem estabelecida. Já ouvira histórias deste primo, que era um aclamado poeta, homem por quem choravam mulheres, homem por quem jornais aclamavam e glorificavam. Tal eram as histórias, que Maria o imaginou como um homem belo e atraente. Apesar de tudo, acabou por descobrir que estava enganada, ele era um homem simples.
Pela primeira vez ela corou com um comentário de um homem. Pela primeira vez ela falara com alguém com tanta facilidade, com tanta admiração, tanto carinho, tanta confiança. Também o primo poeta via nela uma paixão ardente, uma inspiração, um coração que lhe amava e batia fortemente na sua presença.

Apaixonado, o poeta expõe um futuro onde ambos viveriam, simplesmente como amigos e eternos companheiros. Embora acreditasse na veracidade das suas convicções, num pequeno passeio a um moinho não deixou escapar um beijo sentido, deixando Maria sem reacção. Apesar de tudo, é tarde quando Adrião consta que Maria tem quem amar e cuidar, a sua paixão apenas destruiria toda aquela harmonia. Partiu então.

Para trás deixou uma mulher revoltada, que lentamente deixou tudo para viver na fantasia que um dia voltaria a sentir-se amada, tal como fora no moinho.

23.03.06

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Aleluia, somos irmãos

Sempre nos respeitámos. Sempre nos tratámos como amigos. Respeito, irmandade e dever. Não acredito em amizades eternas, mas acredito que as amizades existem. E se o mundo falhar, se as coisas correrem mal, eu sei que posso contar contigo e tu comigo.
Contudo tens defeitos. Todos os temos. Uns mais que outros. E apesar de tudo, não consigo escapar os teus defeitos. Não consigo. Porque és imperfeito. Sem ideias de grandeza. Oco nesse aspecto. Preferes que te liderem do que seres tu a liderar. E por muito que digas:
“O mundo não precisa de líderes.”
Estás infelizmente errado. O mundo precisa que o liderem, precisa que o comandem, precisa que o ordenem. E tu, mal sabes, mas todos te controlam, todos te dominam. Como se fosses um animal, preso. Rastejando contra a porta, esperando que te levem a passear. Não sabes dominar. Não sabes dizer o que queres.
E agora, agora que és novo, é difícil perceberes a maneira como te abusam. Mas futuramente irás perceber. Que todos te usam. És quem és, e por muito que me esforce isso nunca vai mudar. Não és mau amigo, traidor ou mesmo desrespeitador. Mas não gostas de liderar. Não suportas esse facto. Dizes estupefacto:
“Porque precisa o mundo de líderes? A pergunta é, porquê acreditar na existência de um bom líder, se este nem é preciso existir?”
Se o mundo não tivesse líderes, estaríamos perdidos. Vê o exemplo de agora. Todos se comandam a si mesmos, e contudo, basta que alguém saiba falar e tem todos á perna. Todos confiam nele e todos o seguem. Se o mundo não tivesse líderes, o primeiro a aprender a manipular, seria rei. Porque temos a tendência de usar uns aos outros. De usar e abusar. E não é possível ensinar a contrariar este feio vício. Apenas se ensina a prevenir. A prevenir que não te usem. A prevenir que não te enganem. Mas mesmo assim, seremos sempre enganados e controlados. E a única maneira de saberes que não te enganam, é atingindo o topo. É por isso que sempre te quis no topo, a meu lado.
E isso leva-nos àquilo que tu não és: um líder. Vejo com bons olhos os teus avanços, a tua maneira de prevenires quem te tenta usar. És quem és, e estou-te grato. Não és um líder, és alguém de confiança. És um irmão. Espero apenas que não te arrependas da tua escolha de seres quem és.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Poetry that does not rhyme: Getting slower

I’m getting tired.
Oh, so tired.
You make me sick.
You make me mad.
The way you get me crazy.
The way you tell me you’re better than me.
It’s just nauseous.
Nobody makes me fell like this.
Nobody makes me jealous.
And still, qhen I look at you, holding another guy.
Holding another man.
I get mad.
I get jealous.
No one makes me fell like this.
Are you special?
Are you better then all the others?
May be your smaller?
Nicer?
Beautiful?
It’s possible.
What ever is the reason, I can’t stand it.
And I’m getting worse.
I can only see you as mine.
As my greatest treasure, my greatest pride, my girl.
And yet, you’re not.
I can’t stand it.
I prefer to know you’re sad, then to know you’re happy in another man’s harms.
I couldn’t barrier that reality.
I’m sorry.
And I won’t.
You will probably be the cover of the magazines:
“Girl killed by someone that loved her.”
Well, you’ll have your minutes of fame.
And me, well, I’ll live in the mystery.
Thinking, in the years I have left, if I would make you happy.
If I was the right one for you.
It doesn’t matter now.
You’re lying seven foot underground, and I’m resting behind steel bars.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Diário da juventude

“Somos jovens. Temos problemas.
O mundo é um lugar horrível, detestável e adulto. Não nos respeitam. O que mais queríamos era que parassem de nos tentar entender. Somos como somos. Temos as nossas coisas. Que fiquem fora deles, que é aí o vosso lugar.
Temos problemas, muitos problemas. Estudamos que se farta e ficámos fartos de tanto estudo. E depois pedimos para sair á noite ou ir ao cinema e cortam-se logo. É injusto. Temos vontade de um dia ter dinheiro nosso e que nos parem de controlar. Detestamos ser controlados! Sempre a espreitar, a telefonar e mexericar sobre as nossas coisas. Parem de as tentar entender.
Estudamos até matar, e depois se recebemos uma nota má começam logo a refilar. Somos humanos! Se calhar gostavam que fossemos como aqueles totós que estão sempre a estudar e que não têm vida pessoal. Não. Nós queremos ter vida.
E se queremos alguma roupa, temos razões. Tal como quando pedimos e pedimos para poder sair á noite, mais uma vez, ou chegar tarde á casa. Se o pedimos é porque o realmente queremos. Não íamos pedir-vos algo apenas para vos ver chateados ou a fazer contas á vida. Não gostamos de discutir, mas ás vezes é o que merecem! Já vos dissemos que nos deixem de tentar entender. Temos as nossas razoes, princípios e desejos.
Se arranjamos namoros começam logo a desatinar e a perguntar pelos estudos. Por acaso nós desatinamos quando querem ir festejar algo? Ou quando se deitam diariamente ás tantas a ver programas de porcaria na televisão? Se nada vos impede de o fazerem, então por favor parem de nós tentar parar. Se queremos algo deixem-nos ter. Não somos burros.
Agradecemo-vos pela educação, vida e casa. Dinheiro, saúde e amor. Agora deixem-nos seguir a vida, tomar escolhas e arranjar namoros. Mudar a aparência, deitar tarde e gastar dinheiro. Pode vos custar muito, sem dúvida. Mas somos nós um fardo para vocês? Se nós aturaram sempre, porque desatinam agora? Logo agora que a vida começa a ser mais difícil? Agora que começa a ser mais diferente, divertida e interessante. Obrigado por tudo, e que respeitem o nosso espaço. É tudo o que pedimos.”

domingo, 6 de maio de 2007

Música para ouvir: Mattafix – Big City Life



Big City Life,
Me try fi get by,
Pressure nah ease up no matter how hard me try.
Big City Life,
Here my heart have no base,
And right now Babylon de pon me case.

People in a show,
All lined in a row.
We just push on by,
Its funny,
How hard we try.

Take a moment to relax.
Before you do anything rash.

Don't you wanna know me?,
Be a friend of mine.
I'll share some wisdom with you.
Don't you ever get lonely,
From time to time
Don't let the system get you down

[Chorus:]

Soon our work is done,
All of us one by one.
Still we live our lives,
As if all this stuff survives.

[Bridge:]

The Linguist across the seas and the oceans,
A permanent Itinerant is what I’ve chosen.
I find myself in Big City prison, arisen from the vision of man kind.
Designed, to keep me discreetly neatly in the corner,
you'll find me with the flora and the fauna and the hardship.
Back a yard is where my heart is still I find it hard to depart this Big City Life.

(Nota pessoal: Já conhecia esta música á muito tempo. Contudo, agradeço pelos canais de música, passando diariamente de tudo, e recordando certas músicas que acabam por desaparecer, não pela falta de qualidade mas por hoje em dia consumirmos tantas músicas diferentes que algumas "desaparecem" em menos uma semana.)