sábado, 27 de janeiro de 2007

Queremos violência gratuita e ao domicílio

Começo a pensar que gostamos de violência. Dor e masoquismo. Porque adoramos falar do horror no mundo. Curtimos ouvir rap das ruas, para ouvir a vida de bairro que não vivemos. Gostamos de saber da violência dos outros. Terei eu inveja da vida dos outros?
Começo a pensar que gostava de sofrer. Faz sentido. Muitas vezes só me vejo a dar valor ao que tenho, depois de olhar para toda a dor no mundo. Depois de observar o mundo carrasco e imparcial.
Ouvi falar, de pessoas que enfrentavam o mundo. E que dedicavam a sua vida á luta, á luta pelas causas em que acreditam. Contudo reparei também, que o meu mundo não é um filme, ou um conto infantil. Mas não seria belo se fosse? Gostava de poder distinguir os bons, dos maus. Gostava de poder acabar o dia e poder dizer ao espelho:
“E vivi feliz para sempre…”
Contudo fomos criados num mundo, onde acreditar em tal coisa, é ser-se louco. Portanto, gostaria de solicitar, aos investidores em novos produtos no mercado, aquilo que se vai tornar no maior sucesso do século XXI.
Venham trazer a dor a casa das pessoas. Ao que parece não estamos satisfeitos com a televisão, publicidade ou um olhar atento ao passear pela rua. Gostávamos que nos dessem violência sempre que poderem. Ligamos, e vocês vem traze-la a casa. Será possível?
Os meus agradecimentos, e até lá.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Um minuto para mim

Às vezes, gostava de poder te pedir um minuto. Um minuto para nos falarmos, conversarmos, abraçarmo-nos. Contudo, não me das essa hipótese. Talvez, seja eu que não queira. Não seria tão fácil manter amizades, apenas com um minuto de conversa?
Ainda hoje vejo, supostos amigos, chegarem-se a mim, cumprimentarem-me, perguntarem como vai o tempo e depois vão a sua vida, provavelmente fazer o mesmo que me fizeram a mim, a outro sujeito qualquer. Chega a ser absurdo.
Hoje, deparo-me com o mesmo problema, poderei eu considerar alguém, meu amigo, apenas cumprimentando e tendo um dedo de conversa? Não serão os amigos aqueles que nos conhecem melhor do que nós, aqueles que estão sempre lá para conversar e alegrar? Ou estará a minha ideia de amizade destorcida? Sei, que diariamente, tenho de cumprimentar cerca de vinte e tal pessoas, que provavelmente nunca tiveram uma conversa de mais de trinta segundos comigo. Todos eles com conversas tão banais como:
“Está frio, dasse!”
“Esta mesmo.”
“Onde é que estão os outros?”
“Devem estar a chegar.”
Duas perguntas para todos os sujeitos que fazem estas conversas, Primeiro, não falem do tempo por favor. Segundo, os outros são quem? Os teus amigos suponho? Porque no fundo nós nem nos conhecemos. Quer dizer que eu, não sou teu amigo. Portanto gostava de te perguntar, uma última vez, porque temos de nos cumprimentar todas as manhãs? Porque gritas o meu nome alto, sempre que me vês, como se eu fosse um animal de zoo. Uma atracão qualquer, um palhaço de um circo ambulante?
Gostava, de ter um minuto, para vos conhecer a todos. Ouvir as vossas histórias e as vossas intrigas. Contudo, não sei se sou ocupado, ou se não tenho mesmo paciência para vocês todos, a realidade é esta. Não tenho um minuto para vocês. E se o tenho, prefiro gasta-lo comigo mesmo. Portanto, se de manhã passar por vocês e vos der desprezo, a razão é mais que obvia, estou farto de vos dizer olá, se quiserem falar, procurem-me que até vos dou mais que dois minutos de conversa, mas conversa a sério. Até lá, cumprimentem-se, mas não a mim.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Discurso memorável: Edward Norton (25th hours)



"Well, fuck you, too. Fuck me, fuck you, fuck this whole city and everyone in it.
Fuck the panhandlers, grubbing for money, and smiling at me behind my back. Fuck the squeegee men dirtying up the clean windshield of my car. Get a fucking job! Fuck the Sikhs and the Pakistanis bombing down the avenues in decrepit cabs, curry steaming out their pores, stinking up my day. Terrorists in fucking training. SLOW THE FUCK DOWN!
Fuck the Chelsea boys with their waxed chests and pumped up biceps. Going down on each other in my parks and on my piers, jingling their dicks on my Channel 35.
Fuck the Korean grocers with their pyramids of overpriced fruit and their tulips and roses wrapped in plastic. Ten years in the country, still no speaky English?
Fuck the Russians in Brighton Beach. Mobster thugs sitting in cafés, sipping tea in little glasses, sugar cubes between their teeth. Wheelin' and dealin' and schemin'. Go back where you fucking came from!
Fuck the black-hatted Chassidim, strolling up and down 47th street in their dirty gabardine with their dandruff. Selling South African apartheid diamonds!
Fuck the Wall Street brokers. Self-styled masters of the universe. Michael Douglas, Gordon Gekko wannabe mother fuckers, figuring out new ways to rob hard working people blind. Send those Enron assholes to jail for FUCKING LIFE! You think Bush and Cheney didn't know about that shit? Give me a fucking break!Tyco!
Worldcom! Fuck the Puerto Ricans. 20 to a car, swelling up the welfare rolls, worst fuckin' parade in the city. And don't even get me started on the Dom-in-i-cans, 'cause they make the Puerto Ricans look good.
Fuck the Bensonhurst Italians with their pomaded hair, their nylon warm-up suits, their St. Anthony medallions, swinging their, Jason Giambi, Louisville slugger, baseball bats, trying to audition for the Sopranos.
Fuck the Upper East Side wives with their Hermes scarves and their fifty-dollar Balducci artichokes. Overfed faces getting pulled and lifted and stretched, all taut and shiny. You're not fooling anybody, sweetheart!
Fuck the uptown brothers. They never pass the ball, they don't want to play defense, they take five steps on every lay-up to the hoop. And then they want to turn around and blame everything on the white man. Slavery ended one hundred and thirty seven years ago. Move the fuck on!
Fuck the corrupt cops with their anus violating plungers and their 41 shots, standing behind a blue wall of silence. You betray our trust!
Fuck the priests who put their hands down some innocent child's pants. Fuck the church that protects them, delivering us into evil. And while you're at it, fuck JC! He got off easy! A day on the cross, a weekend in hell, and all the hallelujahs of the legioned angels for eternity! Try seven years in fuckin' Otisville, J!
Fuck Osama Bin Laden, Al Qaeda, and backward-ass, cave-dwelling, fundamentalist assholes everywhere. On the names of innocent thousands murdered, I pray you spend the rest of eternity with your seventy-two whores roasting in a jet-fuel fire in hell. You towel headed camel jockeys can kiss my royal Irish ass!
Fuck Jacob Elinsky, whining malcontent. Fuck Francis Xavier Slaughtery my best friend, judging me while he stares at my girlfriend's ass. Fuck Naturelle Riviera, I gave her my trust and she stabbed me in the back, sold me up the river, fucking bitch. Fuck my father with his endless grief, standing behind that bar sipping on club sodas, selling whisky to firemen, cheering the Bronx bombers.
Fuck this whole city and everyone in it. From the row-houses of Astoria to the penthouses on Park Avenue, from the projects in the Bronx to the lofts in Soho. From the tenements in Alphabet City to the brownstones in Park slope to the split-levels in Staten Island. Let an earthquake crumble it, let the fires rage, let it burn to fucking ash and then let the waters rise and submerge this whole rat-infested place.
No. No, fuck you, Montgomery Brogan. You had it all, and you threw it away, you dumb fuck!"


(Nota pessoal: Nunca consegui ver este filme (25th hours) até ao fim. Talvez porque este discurso, a meio do filme, acabava por me supreender e acabava por o ver repetidas vezes.)

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Às vezes o tempo pára, e nós sorrimos

Por vezes, sinto-me sozinho no mundo. Crio um espaço meu, e quando lá estou, nada existe a minha volta. Consigo me abstrair de tudo e começar a escrever. Consigo sorrir e começar a sonhar. Se pudéssemos parar o tempo. Seria tal coisa uma prioridade? Poder simplesmente pressionar no botão de “pause” e apenas dar tempo para descansar. Se a minha vida fosse um telecomando, não seria tudo tão simples? Se a vida que todos os dias olho e desprezo fosse tal fácil de manobrar.
De às vezes pressionar no botão “forward” e ignorar os maus momentos que passo. Será errado não querer sofrer? Ou será o sofrimento um privilégio da nossa liberdade? Contudo gosto de parar às vezes. E consigo fazê-lo. Consigo parar um minuto e torná-lo meu. Esquecer o mundo que me rodeia e simplesmente sorrir de prazer. Não é difícil. Faço-o constantemente.
Deixo de ouvir a televisão ao longe. Deixo de ouvir as discussões diárias de uma família em decadência. Deixo de ouvir as pessoas na rua. Deixo de ouvir a criança do vizinho de cima a chorar. E o momento é meu. Salto e faço movimentos estranhos. Ignoro quem me possa ver da rua. Ignoro a moral e a ética. E o momento é apenas meu.
Gostava de poder ter mais momentos como este. Contudo a vida não é minha, desde o momento em que nasci. Todos me controlam e comandam. Nem tu que me lês és livre de ter um momento teu. Estamos demasiados presos, demasiados controlados. Espero que haja uma revolução futuramente. Para acordarmos e podermos, por um segundo, parar, e ter um minuto para nós.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

A minha indiferença sufoca-me em silêncio

É com um certo desprezo e indiferença, que oiço o telejornal ou as injecções diárias da fome no mundo e guerras. Ignoro-as. Serei eu um ser humano? Um hipócrita? A maneira como simplesmente nos habituou a desgraça dos outros nas notícias das oito. A maneira como hoje em dia somos bombardeados por imagens de crianças negras a chorarem em fotos a preto e branco.
Olhamos e acabamos por ignorar. Já se tornou rotina diária. Aquelas pequenas caixas transparentes, inscritas com algo como “Ajude a missão…” ou “Ajude as crianças sub nutridas por todo o mundo. O certo modo de desprezo como pomos o troco da nossa refeição, como se tivéssemos a fazer um favor, por dispensarmos dez ou vinte cêntimos que não precisamos.
Estaremos nós a fazer um favor, quando ajudamos alguém? Não estamos nós a faze-lo pois sentimos necessidade de ajudar o próximo? Então porquê o olhar indiferente e hipócrita, quando vemos as mortes por todo o mundo, estampadas nas notícias? Deveríamos nós ajuda-los? Ou devemos ignora-los?
Sei onde estou e quem sou. Consigo olhar ao espelho e ter uma certa impressão negativa sobre mim. Virei um cidadão urbano. Demasiado preocupado com os meus problemas. Hoje, recebi mais uma “injecção” de missões e ajudas humanitárias. Senti-me um pouco tocado. Pois, ao ver tanta desgraça, números e estatísticas, percebo que faço parte de uma percentagem mínima de gente no mundo. Apenas pois tenho água, tecto onde dormir, roupa para vestir, educação e amigos.
Sinto-me tocado. Hoje, percebo uma realidade que tantos gostamos de ignorar. Somos, e sou felizardo pelo que tenho, e contudo é com relutância que coloco dez ou vinte cêntimos numa caixa de esmolas, ou num fundo para uma missão. É caso para dizer, serei eu um ser humano?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Música para ouvir : Dido - Thank you



Dido - Thank You

My tea's gone cold, I'm wondering why
I got out of bed at all
The morning rain clouds up my window
and I can't see at all And even if I could it'd all be grey,
but your picture on my wall
It reminds me that it's not so bad,
it's not so bad

I drank too much last night, got bills to pay,
my head just feels in pain
I missed the bus and there'll be hell today,
I'm late for work again
And even if I'm there, they'll all imply
that I might not last the day
And then you call me and it's not so bad,
it's not so bad

and I want to thank you
for giving me the best day of my life
Oh just to be with you
is having the best day of my life

Push the door, I'm home at last
and I'm soaking through and through
Then you hand me a towel
and all I see is you
And even if my house falls down,
I wouldn't have a clue
Because you're near me and

I want to thank you
or giving me the best day of my life
Oh just to be with you
is having the best day of my life

(nota pessoal: Lembro-me da primeira vez que ouvi esta música. Na altura estava constantemente a ouvir a música do Eminem em parceria com a Dido.
O sentimento e o sentido dessa música estavam-me a interessar, já que era algo que até a altura nunca tivera muito contacto.
Contudo acabei por ouvir esta música, apenas da autoria de Dido e acalmou-me o espírito.
Hoje, anos depois, ao fazer um “zapping” pela VH1, no programa “Jukebox” vejo esta relíquia a tocar, e não pode deixar passar.
Ao ler a letra acabo por ter recordar como pequenas coisas como a voz de um amigo nos podem alegrar o dia, ou simplesmente tornar um dia memorável, pela sua presença amiga, pelo seu ombro seguro.
Aqui fica uma música, a primeira de muitas espero eu.)

domingo, 21 de janeiro de 2007

Notícias do meio-dia, na RFM

Não faço ideia, se isto foi intencional, ou apenas um descuido do locutor da rádio. Mas, enquanto ouvia a estação da 93.20 ouvi algo que me surpreendeu. A ironia, e o momento, não faço ideia se foi planeado, mas uma coisa é certa, tive de o imortalizar aqui, neste meu blog. Após ouvir “Skye – Love Show” o locutor disse:
“E agora, as notícias do meio-dia. Este…Este foi o seu admirável mundo:
- Em Odemira, acidente fatal para pescador;
- Papa deixa comunicado para se respeitar as comunidades e principalmente as instituições religiosas por todo o mundo;
- Sérvia passa por instabilidade política e incertezas sociais;
- Iraque decide ter nova presidência mas América não apoia esta decisão.
E agora as melhores músicas da rádio.”
Fiquei surpreendido com a confissão do locutor do momento. “Este foi o seu admirável mundo”. Estou habituado a ouvir rádio e assisto várias vezes a engasgarem-se ou simplesmente a tentarem animar as pessoas que ouvem a rádio. Notasse que muitos deles estão entediados e que por várias vezes dizem o seu endereço electrónico e pedem para lhes mandarem mails.
Reparo como ficam felizes de ver o seu trabalho apreciado, e a receberem atenção e a mostrarem que no fundo não estão simplesmente a falar para o microfone. Sempre que oiço as notícias na rádio acabo por mudar de estação, a procura de música que me afaste dessas notícias sempre condenadas de desastres e confissões corruptas.
Contudo não me detive a mudar de estação. Ouvi e fiquei surpreendido com o momento. “Este foi o seu admirável mundo”. O nosso mundo diário em notícias do meio-dia, na RFM ou noutra estação qualquer, a qualquer hora do dia, ao seu dispor.

sábado, 20 de janeiro de 2007

As conversas vulgares de temas mortos

Comentamos, conversamos e dizemos mal do mundo. Discutimos, desprezamos e tiramos conclusões do que nos rodeia. E é assim que vejo as coisas. É nisto que dá ir a um café conversar. Reunir com um amigo e falar de tudo.
É inevitável, sempre que me junto a um amigo, dizemos mal do mundo, da nossa vida e do nosso país. Começo-me a sentir vulnerável a estas conversas. Já sei quem vão ser as vítimas. Ou dizemos mal dos americanos, ou dos nossos políticos. Dizemos mal dos nossos supostos amigos, inimigos, conhecidos e desconhecidos.
Serão nossos temas de conversa, tão limitados? Ao ponto que falamos sempre sobre o mesmo. De abordarmos a miséria no mundo, ou as nossas patéticas vidas? A beber um café, e dizer mal de tudo. Parecemos aquelas velhotas da aldeia. Sempre a dizerem mal umas das outras. A contarem segredos e histórias alteradas.
Seremos todos assim tão mesquinhos? Tão vulgares? Serei eu, um tema de conversa para os outros? Não duvido. Conversamos e julgamos o carácter das pessoas todas que nos rodeiam. Comentamos, aldrabamos e exageramos. Terão os cafés, um efeito estranho nas pessoas? Porque sempre que nos juntamos, somos como que deuses, nada esta acima de nós. E numa simples conversa dizemos mal de toda a gente.
Dizemos o historial de cada pessoa. E julgamo-nos superiores. Terão as conversas com um café na mão, um poder especial? Uma substancia reveladora do que nos vai na alma? Para a próxima peço uma cola. Mas quem diz café diz uma corrida matinal, um encontro num corredor, uma noitada em casa de um amigo, uma saída a noite…
Começo a achar estas conversas como um cancro incurável: damos-lhe muita atenção e esperança, mas sabemos sempre o seu resultado.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Pensei que os direitos do homem, eram para todos

Acho que sim. Hoje oiço admirado, como a mais de duzentos anos, homens perceberam que tudo estava mal. Perceberam que todos os indivíduos merecem um lugar neste mundo. Usaram a razão e a ideia que todos devemos ter instrução e oportunidade para um futuro justo e assegurado.
Que evolução deve ter sido. Passar das idades das trevas, idade média para um mundo em que todos poderiam estudar. Todos poderiam aprender a viver. Todos teriam direito a vida. É claro que de uma maneira ainda limitada.
Contudo a ideia é grandiosa. Ainda hoje acreditamos que sim, que é possível todos podermos viver assim. Diz-se hoje em dia que todos os indivíduos têm direito a vida. Todos? No fundo não mudou muito desde esses tempos da Revolução Francesa, dessa época iluminista.
Na altura apenas os com dinheiro poderiam ter esses direitos. E hoje? Só os ricos têm direito a igualdade, a felicidade, a vida. Gostava que pudessem alterar os “Direitos Universais do Homem”, para algo como “Direitos dos Homens com Dinheiro”.
Acho que será sempre absurdo a ideia de direitos iguais para todos. Contudo, apoio que todas as crianças deviam ter o mesmo: Pais que os amem, Amigos, Educação e tecto, comida e água. Todos devíamos ter direito a vida. Contudo tal não é verdade.
Esperemos apenas que notem o erro, nesse documento dos direitos universais, e o alterem, a ele, ou ao mundo.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Orgulho em ser Português, ou apenas em quem sou

Tenho orgulho em ser português. Apesar daquilo que gostaríamos de não ter de admitir, Portugal tem a sua honra, a sua dignidade. Acho mal termos de ver certas coisas para nos lembrarmos desse facto. No meu caso, tive de ver estátuas de antigos Reis, e presenciar a opulência e dinamismo deste meu País. Acho que apesar de tudo, nunca perderei o meu orgulho em Portugal. O meu orgulho nas histórias que ouvia desde miúdo. Imaginar um D. João I com Portugal do seu lado a frente a um exército seis vezes maior, e mais bem treinado e armado. Não preciso apenas de Aljubarrota, posso recordar como navegamos pelo mar, feitos heróis do desconhecido, a desmentirmos histórias e teorias de monstros e abismos sem fim. Posso nem recorrer a esses mundos que foram nossos, falo de todos esses homens que foram inspiração para a minha infância. Todos esses lutadores, conquistadores e poetas que Portugal deu o mundo a conhecerem. A conhecerem como nós conseguimos impor, como nem que por uns tempos, fomos o mundo, e soubemos aproveita-lo. Hoje vi a tristeza e a solidão por Lisboa, o passado e o nosso presente. Triste por tanta destruição, corrupção e esquecimento. No fundo acabo por me perguntar:
“Precisamos de uma medalha? De um prémio para mostrarmos quem somos?”
Concluo que não. Até porque no fundo, nunca recebi uma medalha por nada, nem nunca me foi dado um prémio, e ainda bem. Basta um olhar cúmplice para perceber que mais que todos os prémios no mundo, é poder contar com certas pessoas. Mesmo nesta minha hora de crise e desilusão total. E acho que Portugal passa pelo mesmo. Não precisamos de medalhas ou prémios, mas talvez de um D. Sebastião que volte num dia de nevoeiro, um de um novo terramoto para fazermos acordar um louvado Marquês de Pombal.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Não me censurem, estou vivo

Começo a achar stressante a ideia de todos podermos falar. Admiro a liberdade de expressão e os pioneiros de tal ideia. Contudo, não deixo de notar o perigo que é essa liberdade. Lentamente compreendo toda a censura que hoje em dia nos consume lentamente, sem nos darmos conta. Desde as músicas com uma súbita interrupção, ou apenas uma substituição de palavras. Ao som de censura em programas de entretenimento tardio. Consigo perceber, de um certo ponto de vida, todo o trabalho do Regime do Salazar. Neste preciso momento somos alvo de censura, apenas não sabemos. Ou admitimos. Neste momento julgamos saber que há violência no mundo, contudo nem vemos a ponta do iceberg, desta dura realidade. Pergunto-me, até que ponto mentimos a nós mesmos? Até que ponto damos graça a esta censura? Conseguiríamos viver com nós mesmos, se soubéssemos a morte que causamos no mundo? Somos o alicerce de um País corrupto e endividado. O nosso único direito neste País nosso é um voto. Contudo, nós não controlamos quem votamos. Apenas vemos os seus debates na televisão, ou vemos o resumo nos canais por cabo. Gostamos mais de um. Achamos que fala bem, e votamos. No fundo, sabemos que não vai fazer nada do que prometeu. Mal chega ao poder sobe os impostos, e quem se lixa somos nós. Quem sou eu para dizer mal dos políticos, ninguém. A única coisa que quero deixar claro é isto, não somos livres. Já perdemos a liberdade a tanto tempo. Acho que no fundo me deviam censurar. Porque sou mais um tipo com tempo livre, ideias na cabeça, e um blog para o fazer. Censurem-me, sou humano.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Fiquei saturado disto tudo...

Quem sou não interessa, nem a razão pela qual escrevo é importante. Sou tão, ou menos inteligente que tu. A nossa única diferença é que eu sou eu e tu és tu. É a menor das maiores diferenças entre nós.
Tu, possivelmente não tens nada para fazer e estás neste momento a ler-me. E eu estou a meio de um compromisso e decidi fugir de tal obrigatoriedade. Descobri que é mais fácil de pensar quando estamos forçados a fazer algo que não gostamos. Uma conversa fútil, um filme previsível, uma pessoa entediante, um sermão oco.
Se tivermos oportunidade desviamos o olhar e reparamos em tudo a nossa volta, pensamos e reflectimos. Quando esquecemos o que nos rodeia e por segundos sonhamos e voamos para longe, longe daquele momento lento e longo. Até que alguém banal nos interrompe, nos acorda do nosso sono e diz:
“Então estás a pensar? Está na lua…”
O quanto eu não dava para ás vezes lá ir morar. E voltar a terra, semanas depois, entediado pelo silêncio e paz, á procura de toda essa futilidade e ilusão aqui, neste tão seco planeta.