sábado, 16 de junho de 2007

Por trás da sombra, todos somos homens

No escuro da neblina, até o mais fraco sabe dançar. Na sombra do mais alto, até o mais baixo saber falar. No lado do mais forte, até o miserável sabe lutar. E quem irá responder? Quem se irá defender perante uma plateia tão forte e tão desigual? Poucos. E mesmo eu prefiro me esconder por trás de cortinas, em vez de dar a cara por uma causa perdida.
Onde será que falhamos? Sabemos que dói. Dói constatar que aquilo que mais defendemos cai, como peças de dominó, quando enfrentamos um perigo maior. E contudo dizemos que não. Dizemos mal da corrupção, da mentira e da dor. E contudo causamos qualquer uma delas, ás vezes as três ao mesmo tempo, apenas para atingir a satisfação. Dizemos mal dos que mais sofrem, mas se confrontados com uma oportunidade de os salvar, então recuamos. Porque o nosso pescoço é mais importante que os milhares de pessoas que diariamente ficam sem eles.
E é assim. Temos uma vida. Poucos de nós nos queremos armar em Teresa de Calcutá. Poucos de nós queremos passar a palavra como “Che” Guevara. Poucos de nós queremos ser os primeiros em algo como Vasco da Gama. No fundo, todos queremos viver. E o sucesso, é relativo. Queremos ser bem sucedidos na vida. Á nossa maneira. Quer ela seja num sótão a fumar ganzas, ou numa convenção a dar um discurso. A vida é relativa. Se cada um toma as suas decisões, que as tome. Se queremos algo da vida porquê sermos impedidos de tal? Deveremos seguir o que queremos. Poucas profissões estão fora do nosso alcance. Mas algumas estão. Tipo:
Psicopata, muito patético.
Politico corrupto, concorrência a mais.
Poeta filosofo, sem futuro.
E a lista prossegue. O futuro está aberto. Não devemos deixar que nós impeçam de fazermos o que queremos fazer. É claro que vamos sempre fugir quando contra um inimigo maior. É claro que vamos sempre recuar, contra uma batalha suicida. É claro que vamos sempre temer contra um adversário vencedor. Mas se um dia, um dia só, tivermos oportunidade de provar que não somos mais um, então gostava de poder agarrar esse dia. Gostava de saber que vou me levantar e caminhar, quando todos os outros recuarem. Que vou olhar nos olhos quando todos os outros desviarem o olhar. Que vou lutar, quando todos os outros se renderem. Se esse dia chegar, e eu tomar a decisão correcta, então todas as derrotas serão soldadas. Todos os erros serão perdoados. E eu, serei mais do que qualquer outro. Serei humano.

Canto sem Encanto: Rapariga Muda

Vi-a. Era muda. Não falava. Agarrava um CD de música. Puxou pela mãe. A mãe olhou-a. A mãe tinha óculos e era loira. A filha era morena e muda. Mostro-lhe o CD. Não disse nada. Ajoelhou um joelho e juntou as duas mãos. Parecia rezar. Rezava para quem lhe era mais querida. A sua mãe olhou-a. Disse que sim. A rapariga não falava. Apenas pedia em silêncio o CD de música. A mãe disse que sim. Ela levantou-se para logo se ajoelhar. De novo a mãe disse que sim acenando. A rapariga era muda. Ela agarrou a mãe num abraço. E sorriu com ela.
Foi-se embora. Levando o CD de música na mão. Ela afastou-se. A mãe procurava livros de arte moderna. A filha procurava outro CD. Tirou outro CD. Ajoelhou-se mais uma vez á mãe. A mãe não olhou. Ela puxou uma vez. A mãe olhou. Ajoelhou-se e pediu o CD. A mãe esperou. Pegou no CD e olhou para ele. Disse que sim. A filha abraçou-se a ela. Deu-lhe um beijo. Ela foi-se embora de novo. Ligou os “headphones” com música. Colocou nos ouvidos. Começou a mexer-se com a melodia. Não mexia a boca. Não sabia a letra. Não sabia falar. Ficou ali com a música.
A mãe chegou. Ela abraçou a mãe. A mãe sorriu. Ela apontou para o que ouvia. A mãe acenou. Disse que gostava. Ela sorriu. Pegou no novo CD de música. Mas a mãe apontou para os que já tinha. Era suficiente. E ela não falava. Apenas sentia-se feliz com o que a mãe lhe deixaria comprar. Saltava e pulava. Trazia uma camisa ás riscas e uma saia de ganga. Era muda A mãe tocou no relógio e apontou para a saída. A filha sorriu e apontou para as prendas. A mãe disse que sim mais uma vez. A filha sorriu e saltou. Abraçou a mãe e disse:
“Obrigado mãe, adoro-te.”
Não era muda.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Frases Perdidas na Minha Mente

Bebo para esquecer o facto de te ter esquecido. 6-9-2007

E quando o álcool cai em cima da tua cabeça, e todos gritam o teu nome, algo se passa. 6-9-2007

Estar contigo é sentir que o amor-perfeito existe. Espero que o encontres um dia. 6-12-2007

Gostava que me falasses daquilo de que não gosto de ouvir. Talvez assim parasse de gostar de ti. 6-12-2007

Se aprendesses o valor de te sentires seguro, já não te afastavas mais de mim. Ainda bem que és inconsciente! 6-12-2007

Onde se compram pilhas novas para a paciência? 6-13-20

Mentirosos são aqueles que não fazem, não aqueles que não dizem. 6-13-2007

A dor de crescimento é real. Lixado é quando paramos de crescer e continua a doer. 6-13-2007

A vida é tão simples. Quem muito pensa, é usado. Quem muito se revolta, é preso. Quem muito trabalha, é pobre. Quem nada faz, é político. 6-14-2007

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Acho que não

Dói um bocado. Até porque tudo parece bem. E depois do nada descobrimos que não. Como se fizéssemos algo tão normal como sentarmo-nos no banco de um jardim, e em poucos minutos aparecesse um polícia um pouco nervoso a dizer:
“Desculpe, você não pode estar no jardim.”
“Mas todos os outros estão, ou não?”
“É como disse, você, não pode estar no jardim.”
E foi assim que me senti, quando percebi que ela não era a miúda certa. É claro que coisas como estas acontecem constantemente. Mas chateia-a sempre. Acho que cada vez mais. O bom é que não estou desesperado. Nem perto.
Mas acaba sempre por chatear. Estamos bem da vida. Á procura daquela coisa para encher a nossa alma. Esperamos encontrar aquela rapariga. Aquele ser perfeito que vá tornar tudo mais fácil. Que nos vá explorar o nosso lado humano. Que nos obrigue a sorrir com ela, sempre. E quando achamos que encontrámos, a vida ganha cor.
A vida tem outra razão. Como se antes a nossa visão fosse a preto e branco. Mas agora, agora que a vemos, tudo ganha cor. Quando estamos com ela, não pensamos em nada. Relógios desaparecem. Medo falece lentamente. E não temos vergonha. Damos tudo para estar com ela mais um pouco. Para podermos ter aquela despedida com um beijo. Para podermos estar á vontade. Lançamos pequenas perguntas como:
“E ela? Ela falou de mim?”
Tentamos não dar estrilho, mas está tudo escrito na nossa cara. È difícil esconder quem realmente somos. As pessoas riem-se. Também sabem o que é estar apanhado. Todos sabem, apesar de só alguns estarem. Outros fingem. Ou acham que estão. Criam aquela paixão que dura até alguém mais atraente aparecer. Mas não, aquilo que sentimos é real. Não é uma miúda mais gira que nos vai mudar. Gostamos de estar assim.
Colocamos todas as boas coisas que faríamos com ela. Tudo. E o mundo parece um novo lugar.
Mas depois. Depois de muito. Começamos a notar nos defeitos. Todos somos humanos, todos com defeitos. Mas aquela rapariga, aquela que nos apaixonamos, que depomos toda a fé de felicidade eterna, essa, tem de ser mais que humana. Não pode correr mal. Não pode doer. Tem de ser perfeita. Quem seríamos nós, se acreditássemos que a nossa felicidade consistia em estar com alguém que nem apreciamos? Seríamos correctos? Seríamos humanos?
A paixão é passageira, e tudo passa. Mudamos de opinião. Relatamos tristes as nossos amigos que ela é toda deles. É de quem a quiser. Dizemos a eles que já se podem atirar a ela. Como se eles alguma vez o tivessem parado de fazer. Eles dizem que sim, e desiludidos viramos as costas.
Será que deixamos de virar as costas no dia em que percebemos que não existem pessoas perfeitas?

terça-feira, 12 de junho de 2007

Poetry that does not rhyme: Fuck it

I won’t make that effort.
I see you.
You’re younger then me.
And you’re definitely a beautiful girl.
Your body is beautiful in any way,
Your face is one of women’s wonders.
Your hair is blonde, brighter then the sun.
Yet you’re in love with another guy.
True.
I never showed you the true that i feel towards you.
That’s because there are none.
At least now.
What your living now, is the same I lived one year ago.
Loving someone and thinking life’s perfect and swell.
I know how you feel.
You found someone you feel happy with.
He fulfils your day.
He makes you smile now and then.
He tells you something and you just love it.
He looks at you and you think he loves you.
I get it.
I have been like you.
I mean, all man kind has.
It’s normal.
You’ll soon be disappointed with him.
He will find another girl.
You will open your eyes.
And many boys will take that chance.
I won’t.
I know that now, to you, everything seems just great.
It won’t last.
It’s a sad story, I know.
I won’t lie to you.
It will hurt, the day you say goodbye to him.
I will be there.
To help you.
To give my shoulder to you and say:
“Welcome, the world is all yours now.”
So, for me, just one more thing, Fuck it.
You're a prety girl, but not for me.
Not now, not like this.
All this, makes me say:
"Fuck it then."

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Diário do povo

“Trabalhamos dia e noite. Suamos mais que muitos e recebemos menos que todos. Porquê? Será por sermos menos inteligentes? Menos cultos ou bonitos? Uma coisa é certa, somos como todos os outros. Talvez nos pagamos a conta do hospital. Também nos pagamos os nossos impostos. Também nos pagamos dia á dia com a nossa saúde e esforço os duros trabalhos que nos dedicamos a cumprir, o melhor que sabemos e podemos. E contudo, é de opinião comum, que não nos tratam como iguais.
Somos como que o lixo. Os pobres incultos que consumem os programas nacionais e não perdem todos os “reality shows” e os programas de perguntas por milhões de euros. Será que somos menos gente porque consumimos esse tipo de programação? Somos parvos porque vemos programas falados na nossa língua? Porque vemos uma data de gente fechada numa casa vivendo uma vida tão boa e sossegada e a criar problemas onde não existem? Porque gostamos de ver um tipo qualquer ganhar um frigorífico ou um carro?
Que tem a ver com isso? Pouco nos importa o que acham. O que é duro é ver como nos representam. Nós, o motor do nosso país. A maioria trabalhadora. Talvez não mexamos em computadores de alto nível. Talvez não saibamos nomes de doenças em latim. Talvez não gastemos todos os dias pelo menos uma hora a ver uma série de televisão estrangeira. Talvez não estejamos a par das tendências de música ou de moda. Mas temos os nossos gostos. As nossas dores e prazeres. As nossas vidas e opiniões. E não é por isso que somos menos ou mais que os outros.
Gostaríamos que nos dessem o devido valor. Gostaríamos que nos deixassem em par com a nossa música, as nossas notícias na televisão e as galas de famosos. Se é assim que queremos estar, que têm com isso? Gostaríamos que olhassem para nós como deve ser. Que deixassem de nos tratar como alvo de chacota em comédias de televisão. Que deixássemos de ser a mancha nos gráficos e esquemas da economia do nosso país. Se já outrora fomos o futuro, então agora que nos dêem oportunidade de bem educar os nossos filhos. Que esses sim, são o futuro deste nosso país.”

domingo, 10 de junho de 2007

Música para ouvir: Youth Grup - Forever Young



let's dance in style
let's dance for a while
heaven can wait we're only watching the sky
hoping for the best but expecting the worst
are you gonna drop the bomb or not
let us die young or let us live forever
dont have the power but we never say never
sitting in the sandpit
life is a short trip
music's for the sad man
can you imagine when this race is run
turn our golden faces into the sun
praisin our leaders, getting in tune
the music's played by the mad men

forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever

some like water and some are like the heat,
some are melodies, some are the beat,
sooner or later they'll all be gone,
why don't they stay out
it's hard to get on without a cause,
i don't want to perish like a fading voice,
youth is like diamonds in the sun,
diamonds are forever
so many adventures couldn't happen today
so many songs we forgot to play
so many dreams swinging out of the blue
left to come true

forever young, i want to be forever young,
do you really want to live forever
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever...

(Nota pessoal: Gostei tanto desta música, que num lapso de bebedeira cantei a música na rua. Estava rouco, bêbado e rodeado de amigos. Que mais podemos desejar?)

sábado, 9 de junho de 2007

Para sempre único

É sem pudor ou vergonha que admito, vou ser feliz. Já fui mais ligado a ideologias. Já dei comigo a massacrar-me sem sentido. A bater em mim mesmo. Já dei comigo a fazer coisas patéticas e estúpidas. Todas elas por mim mesmo. Não culpo nada pelo que fiz.
Todos nós fazemos o que fazemos. Todos nós criamos e improvisamos. De todas as decisões que tomei, umas dispenso alguma vez ter cometido. Outras dou graças por as ter tomado. Gostava contudo de admitir algo, por toda a minha vida, tive medo. Desprezo o medo. Desprezo a ideia de temer algo. De ser ignorante ao ponto de não me prevenir ou de não entender que tudo está bem. Hoje, ao conversar com o meu irmão, este disse algo que me impressionou:
“Escrevo para talvez um dia ganhar dinheiro.”
A conversa alargou e o que saiu da conversa foi que a escrita que o meu irmão escreve, tanto ou mais que eu, é para um dia ter dinheiro á custa disso. O que me entristece um pouco. Talvez pelo facto de eu ser mais novo. Mais “criança”, a minha opinião difere da do meu irmão. Escrevo, porque desejo um dia conseguir mudar alguém, tocar alguém com a minha escrita, ajudar alguém a crescer e encontrar-se a sim mesmo. Gostava mesmo de algum dia, conseguir completar este meu sonho. E contudo, não posso dizer que escrevo para um dia ter dinheiro. Sem dúvida que tenho largos projectos. Grandes obras a completar e talvez um dia, se me for dada a oportunidade, ás desejo publicar.
E este pequeno aparte, fez me concluir algo, ainda tenho muito para crescer. Muito para fazer. Talvez não o consiga fazer. A vida é limitada, e o seu fim é inesperado e impossível de saber. Mas se me for dada a oportunidade, desejo um dia crescer. Desejo um dia completar a minha lista de “coisas a fazer antes de morrer”. Se poder, desejo um dia fazer todo o que sempre quis fazer. Se conseguir, espero continuar a divertir-me e a evoluir, dia após dia. Não vou, no entanto, corrigir os erros que cometi. Acho que o passado não é para se mudar ou remediar. Um dia, sem excepção, vou abençoar tudo o que fiz. O bem e o mal. A vida que temos deve-se a tudo o que fizemos. Seria errado odiar tudo o que fiz de errado. Ser péssimo louvar tudo o que fiz de certo.
A vida é como é, e é limitada. Hoje, hoje que estou mais velho, mais temporal, agradeço a tudo o que tenho e a tudo o que fiz. Obrigado.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Filme Memorável - Highlander



(Nota pessoal: Um filme que me tocou quando era mais novo. E ainda hoje é um dos meus filmes preferidos.)

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Frases Perdidas na Minha Mente

Deus é gay. 5-5-2007

Jesus ate pode ser eterno, mas provavelmente nunca mandou uma foda, ou teve o prazer de uma vida simples. 5-11-2007

Se a estupidez matasse, não estarias a ler isto. Agradece a Deus meu idiota! 5-12-2007

Se todos tivessem asas, todos gostariam de andar a pé. 5-13-2007

A mentira e uma doença terminal, por muito que lutemos, o fim vai chegar, mais tarde ou mais cedo. 5-14-2007

E quando tudo corre mal, que venha dai o suicídio. 5-15-2007

E tantos anseiam pelas ferias, as ferias sem nada para fazer ou alguém para foder. 5-16-2007

Certas pessoas são passado. 5-18-2007

Não vale a pena manter amizades que nos atrasam na caminhada para lado nenhum. 5-18-2007

Pequenas coisas da vida, fazem-nos felizes, alegres e patéticos seres vivos. Que venham dai esses dias chuvosos e essas tardes de melancolia para alegrar a nossa vida. 5-19-2007

Manhas de sono, tardes a cheirar ganza e noites a comer pó. 5-19-2007

Se a liberdade viesse em bebida, ela seria álcool. 5-20-2007

A alma é como um copo de água. Por vezes cheio outras vezes vazio. Se a minha alma fosse um copo de água, ele estaria vazio. 5-22-2007

O azul é a cor da tristeza. Deus que está no céu, estará ele infeliz? 5-22-2007

Os mandamentos de Deus não se aplicam a todos. 5-23-2007

Somos todos uns doentes mentais á espera que nos dêem comprimidos para nos curar. 5-24-2007

A ausência e a pouca duração, são as únicas qualidades do sofrimento. 5-25-2007

Suspiramos porque ainda acreditamos. 5-26-2007

Se a liberdade fosse uma pessoa, esta já estaria na prisão. 5-27-2007

O mundo é redondo, por muito que andemos voltamos sempre ao ponto de origem. 5-28-2007

A mãe natureza é egoísta. Nós também. 5-28-2007

Perdoa-me Deus, porque eu pequei. Tive pensamentos impuros sobre quem és. Por segundos julguei que eras humano e tinhas alguma compaixão. Perdoa-me. 5-29-2007

Quando somos novos, perdoam-nos porque ainda não sabemos. Quando somos velhos culpam-nos porque já sabemos. 5-30-2007

Quem somos nós para julgar os doentes mentais? 5-30-2007

Deus deve ter um ego gigante. Que outra razão deverá a criação da raça humana ter? 5-30-2007

O sexo move a humanidade. Quem move o sexo? 5-31-2007

Esperar pelo ser perfeito é admitir a nossa imperfeição. 6-1-2007

As prostitutas são o recurso de uma vida sem fantasia. 6-1-2007

O poder de persuasão é a melhor maneira de conseguir o que naturalmente não teríamos direito. 6-1-2007

Não aceitar a realidade, não é ser fraco, é ser-se apenas teimoso. 6-2-2007

A dura verdade, é sempre preferível á doce mentira. 6-3-2007

A loucura provém da consciência da nossa inconsciência. 6-3-2007

A alma é como a música, não toca a todos, mas seria impossível viver sem ela. 6-4-2007

Deus, se não falo contigo, é porque realmente encontrei pessoas mais interessantes que tu. Espero que não leves a peito esta minha traição. 6-5-2007

Os vícios são lixados. Sou um viciado, fodasse! 6-6-2007

Estou grato por todos os belos momentos que passámos. Agora, ajuda-me a limpar as cicatrizes que deixaste. 6-7-2007

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Gravidade para que te quero

Prendes me á terra. Todos te têm constantemente. Os cientistas chamam te de gravidade. E contudo, acho que não é a gravidade que nos prende na terra. Pelo menos a mim. São certas coisas. Certas pessoas. Certas esperanças. Todas elas razoes para nos prendermos á Terra. Gravidade? Sem dúvida, mas se quero ser verdadeiro, digo-o sem problemas, o que me prende a esta Terra, não é uma lei científica, mas a esperança.
Mas de esperanças, já estamos nós todos cheios. Esperanças de uma vida melhor, de um carro melhor, dum emprego melhor e duma saúde estável. E contudo, nem aqui me aplico ao estereótipo comum. Estou com esperanças, estou sim, mas nenhuma dessas. Estou com esperanças na confiança. Numa vida onde confiar uns nos outros é normal, comum e revigorante. Estou com esperanças numa sociedade mais justa, alargada e serena.
Mas sinto-me infeliz. Não sei se foi culpa minha ou não, mas tornei-me um viciado. Independentemente do momento, lugar ou condição, eu estou sempre viciado. Talvez esteja viciado em algo inofensivo. Ou algo mortal. A verdade é que esquecendo o que quer que possa acontecer, eu preciso desse vício. Preciso dessa coisa que me vai acalmar, indirectamente e mesmo sem eu saber que esta o faz. Preciso desse hábito suicida e constante. Preciso de saber que posso recorrer a ele, a qualquer momento.
O problema deste meu vício é que o aplico a objectos. Substâncias. Pessoas. E destes três, o seu uso abusado acaba por os estragar, mesmo até sufocar. Os objectos quer sejam autênticos ou apenas virtuais, perdem a sua cor e o seu brilho inicial. As substâncias passam pelo sangue tanto que até o próprio cheiro me enjoa e sufoca. E as pessoas, essas afastam-se de medo, tanta é a responsabilidade sobre eles, já que carregam a tua pessoa. A tua alma. Quem tu és.
A gravidade existe. Apenas a minha gravidade varia. Hoje é cafeína. Quem sabe amanha é cocaína. Ou talvez nunca o seja. Talvez apenas tenha dito cocaína porque rima com cafeína. A verdade é que me assusto a mim mesmo. Tenho de parar de me viciar em tudo. Tenho de parar. Os vícios que já tive davam uma lista. E com cada item, estariam as longas horas de prazer. Os abusos e usos contínuos. Tenho de parar. Parar agora que é cedo. Parar com os vícios!
E já estou a precisar de um vício novo. Como cheguei a isto?

terça-feira, 5 de junho de 2007

Poetry that does not rhyme: Enough of games

That is enough.
No more games to entertain your mind.
No more lies to lighten up your smile.
No more false feelings and false conversations.
Is it enough?
Do you think we’re ready to say stop?
I believe that you enjoy this.
It’s the only logical answer.
You enjoy having someone like me to speak with you.
You like the idea that someone actually cares about you.
You like to think that you’re not alone.
And yet you are.
I hope now, when you get home and watch your favourite mirror you think of me.
I hope that each day, you remember how close we were.
How our friendship was delightful.
I can only hope now, that my absence make you suffer.
That the fact that I’m away, makes you feel like a worthless crap.
In my soul, I wish you feel jealous of all the other girls.
I wish you that you cry.
I wish that you punish yourself for judging me wrong.
I wish that when I’m away, you feel sick and alone.
Because one thing for sure, I was yours and you didn’t care.
Goodbye then and I wish that you make a troubled journey back to another man’s arms.
Another guy to use.
Another person to abuse.
Another soul to improve.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Diário da traição

“Se eu fosse quem era antes, já estarias no alvo da minha mente. Gente como tu mete-te nojo. Traem-me a confiança. Enojam o vínculo que os une com os seus amigos. E contudo, nada os impede de o fazerem: de traírem os seus amigos. Seríamos nós mesmos amigos? Gosto de pensar que sim. Que éramos amigos até tu me enganares. Será que tu sabias? Será que no momento em que tentavas destruir a minha imagem, será que te lembraste de mim? Será que pensaste:
“O que estou eu a fazer? Estou a trair um amigo meu. Estou a dizer mal nas suas costas. Estou a lixar a sua imagem.”
Pergunto-me, o que terás tu ganho. Será que alguém te pagou? Alguém te forçou a dizeres o que disseste? A fazeres o que fizeste? Uma coisa é verdade. Nada me escapa. E a tua traição. Bem, abalou por completo o que havia entre nós. Gosto de pensar, que entre amigos, existe uma espécie de protecção. Algo invisível e intemporal. Algo que nos une. Para o bem e para o mal. E agora, agora sinto que não existe nada. Que o mal que fizeste, arruinou esse pacto mutuo. Essa reciprocidade.
Se eu fosse, quem era á um ano, acredita que já estarias a ouvir de mim. Já estarias a pedir desculpa. A admitir o teu erro. Mas mudei. Amadureci. Agora, não me interessa o confronto. Que te preocupa se te confrontar? Não terei qualquer certeza que voltes a repetir. Apenas irás ouvir, dizer o que eu quero que digas. E ires-te embora.
E mais uma vez, passarás impune ás minhas palavras. Não te irei magoar. Mas não. Isso era o que eu fazia antes. Antes de aprender o insucesso de tais atitudes. Agora. Agora prepara-te. Vou mexer com a cabeça. Fazer-te remoer de perguntas. Fazer-te olhar para mim e sentir remorsos. Fazer-te desprezar quem tu és, pelo que me fizeste. Espero que doa. Espero que doa tanto quanto doeu a tua traição á minha pessoa. Espero que sofras.
Ah, a traição dói.
E o prazer que vai surgir da tua traição, será apenas para um de nós: Eu.
E a dor que vai surgir da tua traição, será apenas para um de nós: Tu.”

domingo, 3 de junho de 2007

Música para ouvir: Low - Over the Ocean



over the ocean

i'm over the ocean
over the hills, over the dell
over the fireline
over the sand, over the plan
over the empire
and if I belong, then I'll be longer than expected
and if I'm wrong, the mighty and strong will be rejected

over the ocean

(Nota pessoal: Uma música de deixar tocar e voar por aí. Sem problemas ou hora de entrada. Sem chatices ou preocupações, apenas por aí, a voar.)

sábado, 2 de junho de 2007

Aceitar o que nos é dado

Tudo o que temos, é o que merecemos. Não controlamos o que nos rodeia. Não controlamos o mundo. Não controlamos as más notícias. Apenas controlamos a maneira como as recebemos. Talvez a vida se resume a, aprender a resistir. O mundo é incontrolável. Por muitos líderes que possam existir. Por muitos Deuses que se possam idealizar. Por muitos Santos que se possa venerar. Somos no fundo almas passivas. Vivemos cada dia, e adormecemos á espera que nos contém de más notícias. E se o mundo não nos traz más notícias, então o dia foi perfeito e adormecemos em sintonia. Mas e se contudo o mundo traz más notícias? Então choramos, entristecemos e esperamos que o mesmo não volte a acontecer.
O mundo é inevitável. É como um oceano vasto, e nós, apenas mais um naufrago á deriva. Esperamos nós por um barco acolhedor, ou uma terra por descobrir? O que quer que seja tentamos nos manter vivos. Tentamos não nos afogar. Tentamos não atrofiar. No fundo, a vida resume a não perder o bom senso. Não perder a esperança. Não deixar a loucura tomar conta de nós.
Será então possível resumir a vida como, uma mentira? Uma grande mentira em que nós somos os protagonistas. Aguentamos cada dia com os seus problemas e atitudes. Desventuras e aventuras. E no fim, o que queremos mesmo, é não dar em doidos. É não dar azo á loucura constante. Eu devo confessar, já dei em doido. Tão em doido que nem gosto de relembrar. E hoje, hoje penso que é normal ser doido. É normal criar um mundo para onde viver. É normal querer procurar por algo mais interessante que a realidade. Não aceitar a realidade, não é ser fraco, é ser-se apenas teimoso. Quem quer aceitar esta nossa realidade?
Não julgo, e tenho ódio a quem julga os doidos? Serão eles mais lúdicos? E o que será a lucidez ao fim e ao cabo? Será de gente lúcida, julgar alguém? Sabendo que nenhum de nós deve julgar. Porque no fundo, não somos deuses ou seres inocentes ao ponto de podermos julgar alguém. Não. Somos apenas seres demasiado imaginativos e interesseiros. Demasiado egoístas e teimosos. Seremos nós todos uns doentes mentais? Sem sintomas ou cura aparente?
Tenho a certeza que sim.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Filme Memorável - Terminator 2



(Nota pessoal: Um dos melhores filmes de quando era mais novo. Ainda hoje o vejo com entusiasmo. Fez-me pensar se no futuro, lutaremos todos, unidos, contra um mal comum. Ainda por descobrir e aprender a superar.)