sábado, 23 de junho de 2007

Vale sempre a pena

Á meses atrás, seria incapaz de o dizer, mas a verdade, é que vale sempre a pena. Vale a pena arriscar. Vale a pena falar. Vale a pena confiar. Vale a pena viver.
A vida é tão vasta, que seria patético morrer tão cedo. Não escolhemos a idade com que morremos. Mas sempre teimei em um dia ter o privilégio de a escolher. A morte sempre me confundiu. Pensava, no meu subconsciente, que a morte era uma passagem. Um teleporte para outra dimensão. Nunca de inferno ou paraíso, mas para outro sitio. Como se todos nós soubéssemos que um dia partiríamos para esse mundo. E assim, a morte nunca me confundiu a mente. Contudo, agora, sinto-me vivo. Sinto que vale a pena continuar.
A verdade é que sou novo. A vida está toda á minha frente. Mil e uma opções para escolher. Mil e um caminhos para percorrer. Mil e um amigos para acompanhar. A eternidade, a eternidade que tantos lutam para um dia alcançar, é já nossa. Nós controlamos a eternidade. Se tomamos uma decisão, poderemos leva-la connosco para a cova. Se guardamos um segredo, podemos mantê-lo até morrer. Sempre fomos eternos. Provavelmente, não estaremos aqui para ver os nossos bisnetos chegarem á faculdade. Somos feitos de incertezas. Mas a verdade, é que depende de nós, alguma vez termos bisnetos. Depende de nós, continuarmos a ser amigos de quem somos. Depende de nós tudo…o que tenha a ver connosco. Somos nós que fazemos o nosso caminho.
Guardo rancor, sim. Gosto de deixar de falar com as pessoas que conheço. Porquê? Porque me sinto eterno. Porque para sermos eternos, temos de nos privar de algo. A eternidade é nossa, se depender apenas de nós. Mas se confiarmos em alguém. Se acreditarmos em alguém, então somos mortais. Não há certezas neste mundo. Não pode haver. E isso torna tudo mais interessante. Isso torna tudo mais nosso. A música é nossa. A arte é nossa. As ruas são nossas. A poesia é nossa. A vida…essa já não posso dizer o mesmo.
Mas de resto, tudo é nosso. E vale sempre a pena tirar o máximo do que é nosso. Quem sabe um dia não poderemos usar aquilo que temos? Quem sabe um dia ficamos paralisados do pescoço para baixo? E aí, basta-nos chorar, pois já não podemos andar. Mas será que isso deve ser razão para morrermos? Não. Nada deve ser suficientemente mau para nos por fim á vida. Vale sempre a pena tentar. Vale sempre a pena inovar. Vale sempre a pena inventar. Que recordemos o passado, com uma gargalhada e uma lágrima. Que vivamos o presente com um sorriso e esforço. Que pensemos no futuro com esperança e sonhos.
A vida, essa, é agora. Somos limitados. Não somos heróis ou poetas. Somos humanos. Defeitos não nos faltam. Mas quem pode lançar a primeira pedra? Eu sei que não posso. E é por isso que repito, vale sempre a pena. O pior que nos pode acontecer? Morrermos e voarmos de teleporte para outra dimensão, outro universo, outro lugar. Sem dor, vivamos.

Canto sem Encanto: Estranho negro

Era estranho. Era preto. Falava sozinho. Mexia-se pouco. Era quase careca. Tinha pouco cabelo e era branco. Tinha um sinal grande sobre o olho esquerdo. Falava sozinho coçando a cabeça com a mão direita. Olhava para um ponto indefinido. Falava. Olhava para a mala. A mala era preta e suja. Olhava para dentro da mala repetidas vezes. Confirmava se estava tudo com ele. Olhava mais uma vez para as pessoas. Era pequeno e estava sentado sozinho. Numa mesa só para ele e com a mala em cima. Levantou-se. Deixou a mala na mesa. Mal deu dois passos olhou para a mala. Parecia ter medo que ela fugisse. Andava e olhava para a mala. Confirmava se estava no lugar e voltava a virar costas. Olhava. Andava. Olhava para a mala. Andava para o restaurante.
Pagou uma garrafa de água fresca. Sentou-se. Já não queria saber da mala. Agarrava a garrafa. Resfriava as mãos com ela. Falava sozinho mais uma vez. Coçava a cabeça uma e outra vez. Olhava para as pessoas. Era estranho. Eu via-o. A dois metros de distância. Ele olhava para todo o lado menos para mim. Parecia não se importar que o olhassem. Vivia no seu mundo á parte. Não queria saber de nada nem ninguém. Tirou um livro da mala. Abriu-o. Tirou da mala uma sandes entre guardanapos. Abriu-a cuidadosamente. Comeu a sandes. Fechou os guardanapos cuidadosamente. Abriu a garrafa. Bebeu um pouco. Ainda falava sozinho. Tirou da mala outro livro. Coçava a cabeça com a mão direita e segurava o livro com a direita. Na aba do livro conseguia-se ler:
“Matemática avançada.”
Era estranho o senhor.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Frases perdidas na minha mente II

O orgulho matou o Diabo. 6-16-2007

Um dia quisemos recordar. E criámos a fotografia. Um dia quisemos voar. E criámos a música. Um dia quisemos amar. Tivemos de descobrir como. 6-16-2007

Mentimos porque sentimos falta dos sentidos vividos e fodidos. 6-16-2007

A falta de senso comum permitiu a evolução da humanidade. 6-16-2007

Se pudesse recortava uma nuvem e colava no tecto. 6-16-2007

Esconde os olhos se tens algo a temer. Esconde o orgulho se tens algo a dizer. Esconde a mente se tens algo para fazer. 6-17-2007

As memórias são como um largo oceano. Por vezes afogamo-nos na sua imensidão. Outras voamos e contemplamos quem fomos, sem medo. 6-19-2007

Esfaquearam-me a alma. E o corpo? Esse, não valia nada. 6-20-2007

Olá, queres ser meu amigo. Não. Um dia vais morrer sozinho. (uma rapariga de doze anos e eu, a conversar) 6-20-2007

A simplicidade é a maneira mais humana que arranjamos para não termos de ser humanos. 6-21-2007

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Temos de ter paciência

Eu não tenho. Digo já, eu não tenho. Por muito que me esforce, existem sempre certas coisas para as quais não há paciência. E uma delas é, infelizmente, muitas das pessoas que conheço. Falta me paciência. São todas muito certinhas, ou muito mesquinhas, ou muito interesseiras.
E eu, não tenho paciência. Dizem que, por isso mesmo, sou muito directo. Acho que não. Acho que se eu fosse directo, seria muito diferente. Sou como todos os outros. Á certas coisas que guardo para mim. E outras, que digo. Algumas das que digo, contudo, talvez não devesse dizer.
Já ouvi certas pessoas dizerem que, quando têm de dizer algo dizem. O que é no mínimo patético. Mal podem, escondem-se por trás de alguém. Se têm oportunidade, escolhem alguém para ser porta-voz. E gostam de carregar o título de gente que fala directamente. Tanto é necessário coragem como loucura, para enfrentar alguém com a verdade. Acho de louvar quem seja verdadeiro. Acho de venerar quem seja louco.
Sempre disse que não temos juízo suficiente para considerar alguém louco. E contudo enfiamos com malta num hospício porque os vemos como diferentes. Se calhar também enfiávamos lá os políticos e os racistas todos também. Pensam de maneira diferente da nossa. Uns roubam outras maltratam quem vêm de fora. São diferentes do comum dos mortais, porque não estão eles lá? E contudo governam países e mexem multidões. Estão á solta. Mas de novo solta-se a questão:
“Quem sou eu para os julgar?”
Não tenho paciência. Não tenho mesmo. Já explodi várias vezes. E para essa gente toda, mais vale um dia ser directo, do que para sempre hipócrita. E é por isso que não me apanham a cumprimentar mil e uma pessoas por dia. Não quero. Não vou. E serei directo, se algum dia precisar. Porque, precisamos de paciência. Mas eu não a quero. Prefiro ser assim. Imprevisível. Sem paciência

terça-feira, 19 de junho de 2007

Poetry that does not rhyme: Finally flying

It’s over.
Found that in the sound of music.
Paying attention to its lyrics.
Understanding more then its smooth sound.
And letting it enter in me.
We can understand our mistakes and errors.
So I’m finally over.
After so many struggles I said goodbye.
I had to.
And I definitely don’t fell remorse.
I fell alive.
I definitely don’t fell pain.
I fell healthy.
And I certainly fell like I was a human.
And it fells nice.
Life’s getting darker, and harder.
All we have is our trust in our abilities.
And that’s it.
Life’s always different.
But one things common, we are here.
Should we take the best we can from this world?
I guess we’re doing it.
If sometimes we’re dumber than we should.
If sometimes we’re more pathetic.
Well, we wanted it to be like that.
We wanted to look like that.
That’s who we are.
And people should get used to it.
We aren’t that predictable.
No one is.
And now, now that it’s over.
Now that music awoke me from my enjoyable sleep.
Now I say I’m happy.
Because life seems better.
I can fly in my memories and don’t be afraid to fall.
No one likes to fall in the big ocean of memories.
Sometimes you can drown.
But if you fly, then you’ll never drown.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Diário do rancor

“Guardo sempre rancor. Guardo rancor de quem me magoou. Guardo rancor do que correu mal. A culpa é tua. Talvez não seja perfeito, mas tu nem lá perto estás. És ruim, inútil e inculta. E contudo, conseguiste me magoar. Como pude eu deixar. Como pude eu não notar em ti. Não perceber o mal que me fazias. O erro que eu cometia.
Mas pronto, agora acabou-se. Sim, finalmente. Tenho, contudo, pena do que perdemos. Dávamo-nos tão bem. Éramos tão amigos. Partilhávamos cada momento. Estávamos juntos, e sabíamos que ia vale a pena. Sabíamos que tudo ia correr bem. O momento era nosso, e íamos ser felizes.
Mas acabámos! Agora já nem te posso ver. Agora sempre que estamos juntos, guardo rancor. Já nem consigo olhar para a tua cara! Metes me nojo. Fazes me recordar… Recordar o quanto era feliz contigo. E no fim, a rapidez com que destruíste essa nossa amizade. Essa nossa relação. Ah, que porcaria que me saíste. Sabes que, sempre que te vejo, penso na vergonha. Penso nas pessoas que me eram chegadas, e que te apresentei. Logo tu, que não és nada do que eu queria. Nada do que eu defendia. Será que as pessoas olharam para mim e pensaram:
“Tanto falava, e apaixonou-se por uma rapariga assim.”
Não, eu não me apaixonei, e estou longe disso. Odeio-te. Guardo rancor. Metes-me nojo. Sempre que te vejo. Falas comigo. E respondo-te. Mas não passa disso. Não quero saber da tua vida, dos teus amores, da tua vida. Nada. Para mim, já não existes.
Nunca mais te olho para a cara. Já não preciso. Já não quero saber. Adeus, e que saibas, não quero nada contigo. Nem quero ouvir o teu nome, ou saber que estas bem ou á beira da morte. Guardo rancor.”

domingo, 17 de junho de 2007

Música para ouvir: Dandy Warhols - Bohemian like you



Youve got a great car,
Yeah, whats wrong with it today?
I used to have one too,
Maybe youll come and have a look.
I really love your hairdo,yeah,
Im glad you like my do,
See were looking pretty cool, getcha.

So what do you do?
Oh yeah I wait tables too.
No I havent heard your band,
Cause you guys are pretty new.
But if you dig on vegan food,
Well come over to my work,
Ill have them cook you something that youll really love,

Cause I like you,
Yeah, I like you,
And Im feelin so bohemian like you,
Yeah, I like you,
Yeah, I like you,
And I feel wahoo, wooo

Wohoo hoo hoo x4

Wait,
Whos that guy,
Just hanging at your pad.
Hes looking kinda blah,
Yeah, you broke up thats too bad.
I guess its fair if he always pays the rent,
And he doesnt get bent about sleeping on the couch when Im there,

Cause I like you,
Yeah I like you,
And Im feeling so bohemian like you.
Yeah I like you,
Yeah I like you,
And I feel wahoo, woooo
Wohoo hoo hoo x4

Im getting wise,
And Im feeling so bohemian like you,
Its you that I want so please,
Just a causal, casual easy thing.
It isnt? it is for me.
And I like you,
Yeah I like you,
And I like you, I like you, I like you, I like you, I like you, I like you
I like you.
And I feel wahoo, woooo
Wohoo hoo hoo x4

(Nota pessoal: Seria impossível deixar tal música na escuridão do passado.)

sábado, 16 de junho de 2007

Por trás da sombra, todos somos homens

No escuro da neblina, até o mais fraco sabe dançar. Na sombra do mais alto, até o mais baixo saber falar. No lado do mais forte, até o miserável sabe lutar. E quem irá responder? Quem se irá defender perante uma plateia tão forte e tão desigual? Poucos. E mesmo eu prefiro me esconder por trás de cortinas, em vez de dar a cara por uma causa perdida.
Onde será que falhamos? Sabemos que dói. Dói constatar que aquilo que mais defendemos cai, como peças de dominó, quando enfrentamos um perigo maior. E contudo dizemos que não. Dizemos mal da corrupção, da mentira e da dor. E contudo causamos qualquer uma delas, ás vezes as três ao mesmo tempo, apenas para atingir a satisfação. Dizemos mal dos que mais sofrem, mas se confrontados com uma oportunidade de os salvar, então recuamos. Porque o nosso pescoço é mais importante que os milhares de pessoas que diariamente ficam sem eles.
E é assim. Temos uma vida. Poucos de nós nos queremos armar em Teresa de Calcutá. Poucos de nós queremos passar a palavra como “Che” Guevara. Poucos de nós queremos ser os primeiros em algo como Vasco da Gama. No fundo, todos queremos viver. E o sucesso, é relativo. Queremos ser bem sucedidos na vida. Á nossa maneira. Quer ela seja num sótão a fumar ganzas, ou numa convenção a dar um discurso. A vida é relativa. Se cada um toma as suas decisões, que as tome. Se queremos algo da vida porquê sermos impedidos de tal? Deveremos seguir o que queremos. Poucas profissões estão fora do nosso alcance. Mas algumas estão. Tipo:
Psicopata, muito patético.
Politico corrupto, concorrência a mais.
Poeta filosofo, sem futuro.
E a lista prossegue. O futuro está aberto. Não devemos deixar que nós impeçam de fazermos o que queremos fazer. É claro que vamos sempre fugir quando contra um inimigo maior. É claro que vamos sempre recuar, contra uma batalha suicida. É claro que vamos sempre temer contra um adversário vencedor. Mas se um dia, um dia só, tivermos oportunidade de provar que não somos mais um, então gostava de poder agarrar esse dia. Gostava de saber que vou me levantar e caminhar, quando todos os outros recuarem. Que vou olhar nos olhos quando todos os outros desviarem o olhar. Que vou lutar, quando todos os outros se renderem. Se esse dia chegar, e eu tomar a decisão correcta, então todas as derrotas serão soldadas. Todos os erros serão perdoados. E eu, serei mais do que qualquer outro. Serei humano.

Canto sem Encanto: Rapariga Muda

Vi-a. Era muda. Não falava. Agarrava um CD de música. Puxou pela mãe. A mãe olhou-a. A mãe tinha óculos e era loira. A filha era morena e muda. Mostro-lhe o CD. Não disse nada. Ajoelhou um joelho e juntou as duas mãos. Parecia rezar. Rezava para quem lhe era mais querida. A sua mãe olhou-a. Disse que sim. A rapariga não falava. Apenas pedia em silêncio o CD de música. A mãe disse que sim. Ela levantou-se para logo se ajoelhar. De novo a mãe disse que sim acenando. A rapariga era muda. Ela agarrou a mãe num abraço. E sorriu com ela.
Foi-se embora. Levando o CD de música na mão. Ela afastou-se. A mãe procurava livros de arte moderna. A filha procurava outro CD. Tirou outro CD. Ajoelhou-se mais uma vez á mãe. A mãe não olhou. Ela puxou uma vez. A mãe olhou. Ajoelhou-se e pediu o CD. A mãe esperou. Pegou no CD e olhou para ele. Disse que sim. A filha abraçou-se a ela. Deu-lhe um beijo. Ela foi-se embora de novo. Ligou os “headphones” com música. Colocou nos ouvidos. Começou a mexer-se com a melodia. Não mexia a boca. Não sabia a letra. Não sabia falar. Ficou ali com a música.
A mãe chegou. Ela abraçou a mãe. A mãe sorriu. Ela apontou para o que ouvia. A mãe acenou. Disse que gostava. Ela sorriu. Pegou no novo CD de música. Mas a mãe apontou para os que já tinha. Era suficiente. E ela não falava. Apenas sentia-se feliz com o que a mãe lhe deixaria comprar. Saltava e pulava. Trazia uma camisa ás riscas e uma saia de ganga. Era muda A mãe tocou no relógio e apontou para a saída. A filha sorriu e apontou para as prendas. A mãe disse que sim mais uma vez. A filha sorriu e saltou. Abraçou a mãe e disse:
“Obrigado mãe, adoro-te.”
Não era muda.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Frases Perdidas na Minha Mente

Bebo para esquecer o facto de te ter esquecido. 6-9-2007

E quando o álcool cai em cima da tua cabeça, e todos gritam o teu nome, algo se passa. 6-9-2007

Estar contigo é sentir que o amor-perfeito existe. Espero que o encontres um dia. 6-12-2007

Gostava que me falasses daquilo de que não gosto de ouvir. Talvez assim parasse de gostar de ti. 6-12-2007

Se aprendesses o valor de te sentires seguro, já não te afastavas mais de mim. Ainda bem que és inconsciente! 6-12-2007

Onde se compram pilhas novas para a paciência? 6-13-20

Mentirosos são aqueles que não fazem, não aqueles que não dizem. 6-13-2007

A dor de crescimento é real. Lixado é quando paramos de crescer e continua a doer. 6-13-2007

A vida é tão simples. Quem muito pensa, é usado. Quem muito se revolta, é preso. Quem muito trabalha, é pobre. Quem nada faz, é político. 6-14-2007

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Acho que não

Dói um bocado. Até porque tudo parece bem. E depois do nada descobrimos que não. Como se fizéssemos algo tão normal como sentarmo-nos no banco de um jardim, e em poucos minutos aparecesse um polícia um pouco nervoso a dizer:
“Desculpe, você não pode estar no jardim.”
“Mas todos os outros estão, ou não?”
“É como disse, você, não pode estar no jardim.”
E foi assim que me senti, quando percebi que ela não era a miúda certa. É claro que coisas como estas acontecem constantemente. Mas chateia-a sempre. Acho que cada vez mais. O bom é que não estou desesperado. Nem perto.
Mas acaba sempre por chatear. Estamos bem da vida. Á procura daquela coisa para encher a nossa alma. Esperamos encontrar aquela rapariga. Aquele ser perfeito que vá tornar tudo mais fácil. Que nos vá explorar o nosso lado humano. Que nos obrigue a sorrir com ela, sempre. E quando achamos que encontrámos, a vida ganha cor.
A vida tem outra razão. Como se antes a nossa visão fosse a preto e branco. Mas agora, agora que a vemos, tudo ganha cor. Quando estamos com ela, não pensamos em nada. Relógios desaparecem. Medo falece lentamente. E não temos vergonha. Damos tudo para estar com ela mais um pouco. Para podermos ter aquela despedida com um beijo. Para podermos estar á vontade. Lançamos pequenas perguntas como:
“E ela? Ela falou de mim?”
Tentamos não dar estrilho, mas está tudo escrito na nossa cara. È difícil esconder quem realmente somos. As pessoas riem-se. Também sabem o que é estar apanhado. Todos sabem, apesar de só alguns estarem. Outros fingem. Ou acham que estão. Criam aquela paixão que dura até alguém mais atraente aparecer. Mas não, aquilo que sentimos é real. Não é uma miúda mais gira que nos vai mudar. Gostamos de estar assim.
Colocamos todas as boas coisas que faríamos com ela. Tudo. E o mundo parece um novo lugar.
Mas depois. Depois de muito. Começamos a notar nos defeitos. Todos somos humanos, todos com defeitos. Mas aquela rapariga, aquela que nos apaixonamos, que depomos toda a fé de felicidade eterna, essa, tem de ser mais que humana. Não pode correr mal. Não pode doer. Tem de ser perfeita. Quem seríamos nós, se acreditássemos que a nossa felicidade consistia em estar com alguém que nem apreciamos? Seríamos correctos? Seríamos humanos?
A paixão é passageira, e tudo passa. Mudamos de opinião. Relatamos tristes as nossos amigos que ela é toda deles. É de quem a quiser. Dizemos a eles que já se podem atirar a ela. Como se eles alguma vez o tivessem parado de fazer. Eles dizem que sim, e desiludidos viramos as costas.
Será que deixamos de virar as costas no dia em que percebemos que não existem pessoas perfeitas?

terça-feira, 12 de junho de 2007

Poetry that does not rhyme: Fuck it

I won’t make that effort.
I see you.
You’re younger then me.
And you’re definitely a beautiful girl.
Your body is beautiful in any way,
Your face is one of women’s wonders.
Your hair is blonde, brighter then the sun.
Yet you’re in love with another guy.
True.
I never showed you the true that i feel towards you.
That’s because there are none.
At least now.
What your living now, is the same I lived one year ago.
Loving someone and thinking life’s perfect and swell.
I know how you feel.
You found someone you feel happy with.
He fulfils your day.
He makes you smile now and then.
He tells you something and you just love it.
He looks at you and you think he loves you.
I get it.
I have been like you.
I mean, all man kind has.
It’s normal.
You’ll soon be disappointed with him.
He will find another girl.
You will open your eyes.
And many boys will take that chance.
I won’t.
I know that now, to you, everything seems just great.
It won’t last.
It’s a sad story, I know.
I won’t lie to you.
It will hurt, the day you say goodbye to him.
I will be there.
To help you.
To give my shoulder to you and say:
“Welcome, the world is all yours now.”
So, for me, just one more thing, Fuck it.
You're a prety girl, but not for me.
Not now, not like this.
All this, makes me say:
"Fuck it then."

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Diário do povo

“Trabalhamos dia e noite. Suamos mais que muitos e recebemos menos que todos. Porquê? Será por sermos menos inteligentes? Menos cultos ou bonitos? Uma coisa é certa, somos como todos os outros. Talvez nos pagamos a conta do hospital. Também nos pagamos os nossos impostos. Também nos pagamos dia á dia com a nossa saúde e esforço os duros trabalhos que nos dedicamos a cumprir, o melhor que sabemos e podemos. E contudo, é de opinião comum, que não nos tratam como iguais.
Somos como que o lixo. Os pobres incultos que consumem os programas nacionais e não perdem todos os “reality shows” e os programas de perguntas por milhões de euros. Será que somos menos gente porque consumimos esse tipo de programação? Somos parvos porque vemos programas falados na nossa língua? Porque vemos uma data de gente fechada numa casa vivendo uma vida tão boa e sossegada e a criar problemas onde não existem? Porque gostamos de ver um tipo qualquer ganhar um frigorífico ou um carro?
Que tem a ver com isso? Pouco nos importa o que acham. O que é duro é ver como nos representam. Nós, o motor do nosso país. A maioria trabalhadora. Talvez não mexamos em computadores de alto nível. Talvez não saibamos nomes de doenças em latim. Talvez não gastemos todos os dias pelo menos uma hora a ver uma série de televisão estrangeira. Talvez não estejamos a par das tendências de música ou de moda. Mas temos os nossos gostos. As nossas dores e prazeres. As nossas vidas e opiniões. E não é por isso que somos menos ou mais que os outros.
Gostaríamos que nos dessem o devido valor. Gostaríamos que nos deixassem em par com a nossa música, as nossas notícias na televisão e as galas de famosos. Se é assim que queremos estar, que têm com isso? Gostaríamos que olhassem para nós como deve ser. Que deixassem de nos tratar como alvo de chacota em comédias de televisão. Que deixássemos de ser a mancha nos gráficos e esquemas da economia do nosso país. Se já outrora fomos o futuro, então agora que nos dêem oportunidade de bem educar os nossos filhos. Que esses sim, são o futuro deste nosso país.”

domingo, 10 de junho de 2007

Música para ouvir: Youth Grup - Forever Young



let's dance in style
let's dance for a while
heaven can wait we're only watching the sky
hoping for the best but expecting the worst
are you gonna drop the bomb or not
let us die young or let us live forever
dont have the power but we never say never
sitting in the sandpit
life is a short trip
music's for the sad man
can you imagine when this race is run
turn our golden faces into the sun
praisin our leaders, getting in tune
the music's played by the mad men

forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever

some like water and some are like the heat,
some are melodies, some are the beat,
sooner or later they'll all be gone,
why don't they stay out
it's hard to get on without a cause,
i don't want to perish like a fading voice,
youth is like diamonds in the sun,
diamonds are forever
so many adventures couldn't happen today
so many songs we forgot to play
so many dreams swinging out of the blue
left to come true

forever young, i want to be forever young,
do you really want to live forever
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever...

(Nota pessoal: Gostei tanto desta música, que num lapso de bebedeira cantei a música na rua. Estava rouco, bêbado e rodeado de amigos. Que mais podemos desejar?)

sábado, 9 de junho de 2007

Para sempre único

É sem pudor ou vergonha que admito, vou ser feliz. Já fui mais ligado a ideologias. Já dei comigo a massacrar-me sem sentido. A bater em mim mesmo. Já dei comigo a fazer coisas patéticas e estúpidas. Todas elas por mim mesmo. Não culpo nada pelo que fiz.
Todos nós fazemos o que fazemos. Todos nós criamos e improvisamos. De todas as decisões que tomei, umas dispenso alguma vez ter cometido. Outras dou graças por as ter tomado. Gostava contudo de admitir algo, por toda a minha vida, tive medo. Desprezo o medo. Desprezo a ideia de temer algo. De ser ignorante ao ponto de não me prevenir ou de não entender que tudo está bem. Hoje, ao conversar com o meu irmão, este disse algo que me impressionou:
“Escrevo para talvez um dia ganhar dinheiro.”
A conversa alargou e o que saiu da conversa foi que a escrita que o meu irmão escreve, tanto ou mais que eu, é para um dia ter dinheiro á custa disso. O que me entristece um pouco. Talvez pelo facto de eu ser mais novo. Mais “criança”, a minha opinião difere da do meu irmão. Escrevo, porque desejo um dia conseguir mudar alguém, tocar alguém com a minha escrita, ajudar alguém a crescer e encontrar-se a sim mesmo. Gostava mesmo de algum dia, conseguir completar este meu sonho. E contudo, não posso dizer que escrevo para um dia ter dinheiro. Sem dúvida que tenho largos projectos. Grandes obras a completar e talvez um dia, se me for dada a oportunidade, ás desejo publicar.
E este pequeno aparte, fez me concluir algo, ainda tenho muito para crescer. Muito para fazer. Talvez não o consiga fazer. A vida é limitada, e o seu fim é inesperado e impossível de saber. Mas se me for dada a oportunidade, desejo um dia crescer. Desejo um dia completar a minha lista de “coisas a fazer antes de morrer”. Se poder, desejo um dia fazer todo o que sempre quis fazer. Se conseguir, espero continuar a divertir-me e a evoluir, dia após dia. Não vou, no entanto, corrigir os erros que cometi. Acho que o passado não é para se mudar ou remediar. Um dia, sem excepção, vou abençoar tudo o que fiz. O bem e o mal. A vida que temos deve-se a tudo o que fizemos. Seria errado odiar tudo o que fiz de errado. Ser péssimo louvar tudo o que fiz de certo.
A vida é como é, e é limitada. Hoje, hoje que estou mais velho, mais temporal, agradeço a tudo o que tenho e a tudo o que fiz. Obrigado.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Filme Memorável - Highlander



(Nota pessoal: Um filme que me tocou quando era mais novo. E ainda hoje é um dos meus filmes preferidos.)